Uma criança de dois anos perdeu totalmente a visão de um dos olhos após contrair o vírus herpes simplex (HSV) na córnea, possivelmente transmitido por um beijo de uma pessoa com ferida ativa nos lábios. O caso ocorreu na Namíbia e foi relatado pela mãe do menino, Michelle Saaiman, de 36 anos, em entrevista ao site Metro.
Segundo Michelle, o filho, Juwan, tinha apenas 16 meses quando apresentou sinais de uma infecção ocular, em agosto do ano passado. Inicialmente tratado com colírios antibióticos, o quadro não apresentou melhora. Com o agravamento da condição, um especialista diagnosticou a presença de herpes simplex no olho da criança.
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“A médica estava me dizendo que havia uma ferida de herpes crescendo na córnea do meu filho. Eu literalmente fiquei olhando para ela, achando que era 1º de abril, porque pensei que fosse uma pegadinha. Uma ferida dessas deveria estar na boca ou nos lábios. Nunca ouvi falar disso no olho”, relatou.
De acordo com médicos, a infecção provavelmente ocorreu após alguém com uma ferida ativa de herpes labial beijar a criança no rosto ou próximo aos olhos. Michelle e o marido, Neels, não têm o vírus no sangue, segundo exames.
Durante semanas, os profissionais de saúde tentaram controlar a infecção, chegando a consultar especialistas em Nova York para obter a medicação adequada. Nesse período, a família temia que o vírus se espalhasse para o cérebro ou para o outro olho.
Quando o tratamento começou a surtir efeito, os danos já eram irreversíveis. “O herpes causou tanto estrago na córnea que ele perdeu toda a sensibilidade no olho e não conseguia mais enxergar nada. Ele ficou completamente cego”, afirmou a mãe.
Com a perda de comunicação entre o cérebro e o olho afetado, o órgão deixou de produzir a lubrificação necessária, o que levou ao ressecamento progressivo. Como consequência, um orifício de cerca de quatro milímetros se abriu no olho da criança, aumentando o risco de perda total do globo ocular.
Para tentar salvar o olho, Juwan foi levado a especialistas na Cidade do Cabo, na África do Sul, onde passou por um enxerto de âmnio na córnea e teve as pálpebras costuradas temporariamente. A família deve retornar ao país para uma cirurgia considerada decisiva, que envolve a transferência de nervos da perna para o olho. Se o procedimento for bem-sucedido, ele poderá receber um transplante de córnea neste ano.
“Ele é um verdadeiro guerreiro, sempre com um sorriso no rosto, mas sentia muita dor. Não é justo um ser humano tão pequeno passar por tudo isso”, disse Michelle.
Abalados, os pais afirmaram ter sentido revolta ao entender que o vírus foi transmitido por um gesto de carinho. “No começo, ficamos muito, muito bravos com quem foi egoísta o suficiente para beijar meu filho com uma ferida ativa. Beijos vêm de um lugar de amor, então sei que não foi intencional. Mas é um processo de luto. Por que meu bebê tem que passar por isso?”, desabafou.


