O jornalista Karyston Franco publicou, no portal “É o Mundo no Instagram”, um texto opinativo em que analisa o impacto das recentes investigações da Polícia Federal envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O artigo surge após a PF concluir perícias em mensagens que apontam possíveis pagamentos relacionados ao ministro no âmbito do caso Banco Master, instituição que sofreu liquidação extrajudicial em novembro de 2025.
No texto, o jornalista afirmou que o cenário atual ultrapassou os debates políticos de rotina. “Quando a Polícia Federal conclui a perícia em mensagens e aponta menções a possíveis pagamentos envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, não existe mais ‘zona cinzenta’ para empurrar com a barriga. A própria PF levou o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, e pediu formalmente a suspeição de Toffoli no caso Banco Master. Isso é a definição de um sistema entrando em curto circuito”, escreveu.
“O Banco Master já era, por si só, um escândalo grande demais para ser tratado como burocracia. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025. Agora, com esse novo capítulo, não é só o banco que está sob suspeita. É a credibilidade do topo do Judiciário, com Toffoli no centro da crise”, completou.
Franco criticou a postura adotada pelo gabinete do ministro Toffoli, que classificou a ação da PF como “ilação”. “Esse tipo de resposta não esclarece nada e soa como tática para ganhar tempo. Quando um ministro é citado em material periciado, o país não precisa de nota defensiva, precisa de transparência e providências”, opinou.
“Por isso, sim: a casa caiu. E passou do limite faz tempo. A partir do momento em que existe suspeita documentada envolvendo Toffoli, o assunto deixa de ser ‘só impeachment’ e entra no território criminal. Se houver prova, o caminho não é político. É penal. E aqui entra a parte que constrange o Brasil: em qualquer democracia séria, com instituições que funcionam sem corporativismo, a discussão sobre Toffoli não seria ‘se cabe impeachment’. Seria afastamento imediato, investigação criminal até o fim e responsabilização como manda a lei. Prisão não é ‘exagero” quando o cargo é alto. É consequência possível quando a gravidade é alta”, declarou.
“O STF tem duas opções. Ou corta na própria carne, com transparência real e medidas imediatas para impedir qualquer sombra de blindagem. Ou aceita consolidar a percepção de que existe uma casta acima da lei. Neste estágio, fingir normalidade não é prudência. É cumplicidade institucional”, finalizou o jornalista.


