Charli XCX estreia nos cinemas em The Moment, um mockumentary que mistura humor e estilo documental para questionar até que ponto o alternativo pode virar mainstream. No filme, a artista britânica reflete sobre a viralização de seu trabalho e discute a linha tênue entre o que é considerado “indie” e o que se tornou popular. O resultado é uma experiência leve e divertida, ainda que por vezes coloque conceitos soltos em cena sem desenvolver todas as ideias de forma mais profunda.
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Em The Moment, Charli XCX aparece sob pressão da gravadora, que quer manter o sucesso do “Brat Summer” e produzir um longa sobre a turnê prestes a começar. O roteiro explora as divergências criativas entre a cantora e a equipe, gerando o conflito principal da história. Essa dinâmica traça o suspense e a comédia enquanto o público acompanha negociações, dúvidas e ensaios para um espetáculo que, no fundo, reflete a própria trajetória de Charli XCX.
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A narrativa assume características típicas de mockumentary, estilo consagrado em séries como The Office, com entrevistas falsas e cenas de bastidores que brincam com o real e o ficcional. Essa proposta abre espaço para reflexões sobre autenticidade e imagem pública. Charli XCX, que sempre nadou contra a corrente no cenário pop, mergulha nessa autocrítica para questionar seu próprio conceito de artista underground e a transformação em estrela global.
No quesito humor, The Moment acerta ao apresentar Charli XCX em situações constrangedoras, usando maquiagem exagerada e enquadramentos que realçam imperfeições, como espinhas e expressões desconfortáveis. Essa autodepreciação rende boas risadas e reforça a ideia de que, apesar do luxo e do glamour, por trás da popstar há uma pessoa comum, sujeita a falhas e inseguranças.
As participações de Kylie Jenner e Rachel Sennot surgem em cenas pontuais para contrapor o ego de Charli XCX, equilibrando o protagonismo e ampliando o humor situacional. Já nos momentos finais, a paródia de um grande show se transforma em espetáculo que mistura referências a Coldplay, Taylor Swift e Katy Perry. Essa mistura de clichês é o ponto alto do filme, com passagens escancaradamente debochadas que comprovam a pegada irônica da produção.
A conclusão de The Moment segue a lógica de autodesmontagem: Charli XCX aceita se render ao formato popstar e, ao celebrar o “Brat Summer”, acaba eternizando a era que dizia querer enterrar. Tecnicamente, o longa peca pela falta de amarração em alguns conceitos, mas cumpre bem a função de entretenimento. Nota: 6,5/10


