O cenário fora dos gramados do Botafogo ganhou um novo capítulo de tensão após a Eagle Football Holdings questionar na Justiça uma cobrança milionária movida pela SAF do clube. A disputa envolve uma dívida inicialmente fixada em R$ 139.845.596,42, cuja legitimidade passou a ser contestada pela holding, que também apontou divergências nos valores e pediu que a execução não seja reconhecida judicialmente.
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No recurso apresentado, ao qual a ESPN teve acesso, a Eagle argumenta que a cobrança seria inválida por ter sido assinada, em diferentes frentes, pelo próprio John Textor, que atuava ao mesmo tempo como representante das entidades envolvidas na operação. A empresa afirma que o valor correto da dívida seria de R$ 127.490.763,84, apontando um acréscimo indevido de mais de R$ 12 milhões, classificado no processo como “erro crasso”.
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Além da discussão financeira, a manifestação traz acusações diretas à condução do empresário. A Eagle afirma que Textor teria “capturado controle” do clube “na mão grande” e descreve a situação como “estarrecedora”. Em outro trecho, os advogados afirmam que a execução representa “a cobrança de título burlesco”, construída a partir de “uma série de transações ardilosas” do tipo “Zé com Zé”.
“Por meio dos presentes embargos, a embargante, acionista controladora da SAF Botafogo, demonstrará que a execução em curso – estranhamente movida pela companhia contra sua própria controladora, para instrumentalizar, em claro desvio de finalidade, uma disputa societária havida entre elas – já nasce inquinada por uma profusão de vícios patentes e irremediáveis”, afirma a holding no recurso.
O documento também aponta que “a pretensão executiva movida pela SAF Botafogo é um retrato ostensivo e inaceitável do exato tipo de abuso que o direito brasileiro se propõe a repelir”, acrescentando que as operações foram “orquestradas por um único gestor”, no caso, Textor, que teria atuado “em ambos os polos das relações jurídicas”.
A Eagle ainda destaca risco direto ao grupo caso o processo continue. Segundo a petição, “o perigo de dano é igualmente manifesto”, já que a continuidade da execução pode atingir ativos estratégicos, incluindo o próprio clube, com chance de “danos de dificílima – quando não impossível – reparação”.
John Textor não se pronunciou sobre as acusações. Em manifestação anterior no processo, porém, a SAF do Botafogo defendeu o modelo de gestão usado. “Primeiro, sempre foi do conhecimento de todos […] o sistema de caixa-único (ou cash pooling agreements) mantido entre os clubes integrantes da denominada Eagle. Não havia nada escondido, nada na surdina ou escamoteado”, diz o texto.
A defesa também afirma que “esse formato, naturalmente, visava a beneficiar todos os clubes integrantes do grupo Eagle” e que se tratava de “um modelo colaborativo e integrado”, incluindo transferências de atletas entre as equipes controladas pelo grupo.
A disputa judicial segue em andamento e adiciona mais um fator de instabilidade ao momento vivido pelo clube carioca, que já enfrenta dificuldades esportivas nesta temporada.



