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Médico é indiciado por homicídio doloso após morte de Cíntia Maria Dourado Mendes em UPA de Brazlândia

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Um médico foi indiciado por homicídio doloso após a morte de Cíntia Maria Dourado Mendes, de 43 anos, ocorrida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brazlândia, no Distrito Federal. O caso aconteceu em fevereiro de 2024 e teve novos desdobramentos com a finalização do inquérito policial, obtido com exclusividade pelo portal LeoDias, que apontou uma série de falhas no atendimento à paciente.

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Segundo a investigação, Cíntia buscou atendimento inicialmente com sintomas compatíveis com dengue. Ela foi medicada, recebeu soro e foi liberada, mesmo apresentando sinais de agravamento, como dores fortes, desmaios e falta de ar. Horas depois, com piora do quadro, retornou à unidade em estado mais grave.

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No segundo atendimento, o cenário relatado por familiares e testemunhas foi de desespero. De acordo com o marido, a paciente apresentava episódios frequentes de desmaio e dizia que iria morrer. “Me leva para o hospital”, teria pedido antes de perder novamente a consciência.

Ao chegar à UPA, Cíntia foi colocada em uma cadeira de rodas para ser levada ao interior da unidade. Durante o trajeto, houve um acidente que agravou ainda mais a situação. “A cadeira tombou com a vítima para o lado, projetando sua nuca no meio-fio, seus olhos reviraram e seu corpo entrou em convulsão”, aponta o relato.

Testemunhas confirmaram que a queda foi forte e aconteceu na entrada da unidade, em uma rampa próxima ao acesso principal. Há ainda registros de que a cadeira de rodas utilizada apresentava problemas estruturais, o que pode ter contribuído para o acidente durante o transporte da paciente.

Após a queda, Cíntia foi levada para a área de emergência, onde passou por procedimentos de reanimação. Conforme os autos, ela chegou a ser entubada, mas não resistiu. Pouco tempo depois, a equipe médica comunicou o falecimento à família.

O inquérito também destaca questionamentos feitos pelo marido sobre a conduta do primeiro atendimento. “Se desconfiam de trombose, por que quando ela esteve aqui às 19h00min não fizeram o exame de trombose e a mantiveram internada?”, questionou, sem obter resposta.

Familiares denunciam negligência no atendimento e afirmam que a paciente não recebeu a assistência adequada desde a primeira passagem pela unidade. O caso ganhou repercussão após o sepultamento de Cíntia, que faleceu com diagnóstico confirmado de dengue.

Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF), responsável pela administração da UPA de Brazlândia, lamentou a morte da paciente e informou que ela testou positivo para dengue. O órgão também declarou que Cíntia chegou à unidade com crises de desmaios e que foi atendida conforme os protocolos.

Apesar das versões apresentadas, a Polícia Civil concluiu que havia elementos suficientes para o indiciamento por homicídio doloso, quando se entende que houve assunção do risco de morte. O caso agora segue para análise do Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia.

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