A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que ainda há possibilidade de surgirem novos casos de hantavírus relacionados ao surto detectado no navio de expedição MV Hondius. Até agora, o surto resultou em três mortes e oito casos suspeitos ou confirmados da doença. Mesmo assim, a entidade internacional avalia que a disseminação deve continuar “limitada” caso os protocolos de saúde sejam mantidos.
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O caso colocou o cruzeiro em destaque internacional desde o último final de semana. O navio segue viagem rumo à ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha. A expectativa é que cerca de 150 pessoas, entre passageiros e tripulantes, deixem a embarcação a partir da próxima semana.
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Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico para o hantavírus, doença normalmente transmitida pelo contato com roedores infectados. As análises feitas nos passageiros do MV Hondius identificaram a variante Andes, considerada a única cepa conhecida capaz de transmissão entre humanos em situações de contato muito próximo.
“Até o momento, foram identificados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três seguem como suspeitos”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante pronunciamento em Genebra.
Segundo ele, como a cepa Andes apresenta período de incubação que pode chegar a seis semanas, “é possível que novos casos ainda sejam identificados”.
As vítimas fatais relacionadas ao surto são um casal holandês e uma turista alemã. O cruzeiro saiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde.
Ainda há passageiros internados ou sob acompanhamento médico em países como Holanda, Suíça, Alemanha e África do Sul.
OMS descarta pandemia
A OMS reforçou que o episódio não deve ser comparado à pandemia de covid-19 e declarou que o risco de disseminação global permanece baixo.
“Não se trata do início de uma pandemia”, afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela área de prevenção e preparação para epidemias da organização, em coletiva após o início da crise sanitária.
O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, também declarou que o avanço do surto tende a se manter “limitado, se forem aplicadas medidas de saúde pública e houver cooperação entre os países”.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou na noite de quinta-feira que a situação está “amplamente sob controle” e informou que um relatório detalhado será apresentado nesta sexta-feira.
Investigação tenta descobrir origem da infecção
As autoridades ainda não conseguiram identificar onde ocorreu o primeiro contágio. Segundo a OMS, o primeiro passageiro morto, um holandês de 70 anos, começou a apresentar sintomas em 6 de abril, poucos dias após embarcar, o que sugere que a infecção pode ter acontecido antes do início da viagem.
O casal visitou Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar no navio.
O Ministério da Saúde do Chile informou considerar improvável que a infecção tenha ocorrido no país, alegando que a estadia foi “em um período que não corresponde ao de incubação”.
Já o governo argentino declarou que, “com as informações disponíveis até o momento (…) não é possível confirmar a origem do contágio”.
O hantavírus é considerado endêmico em algumas áreas da Argentina, especialmente na região da Cordilheira dos Andes. Nos últimos anos, o país registrou cerca de 60 casos por ano da doença.
Passageiros seguem no navio
Mesmo com o surto, pessoas de aproximadamente 20 nacionalidades ainda permanecem a bordo do MV Hondius.
“Não há pessoas com sintomas a bordo”, informou a empresa responsável pelo navio, a Oceanwide Expeditions, após a retirada de três passageiros na quarta-feira.
Em nota enviada à imprensa, dois turistas franceses declararam que a rotina dentro do cruzeiro segue “praticamente normal”.
Enquanto isso, autoridades de saúde monitoram os deslocamentos de 30 passageiros que desembarcaram entre os dias 22 e 24 de abril na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, para identificar possíveis infectados ou pessoas que tiveram contato próximo com os casos confirmados.
Na ilha britânica, que tem cerca de 4.400 habitantes, o clima é de apreensão. Mesmo assim, representantes locais ressaltaram que “mais de 95%” da população não teve contato direto com passageiros do navio.
Entre os passageiros que passaram por Santa Helena estavam o primeiro holandês que morreu, em 11 de abril, e sua esposa, que faleceu em Johannesburgo no dia 26 de abril.
Em Singapura, dois idosos que estiveram na ilha seguem isolados enquanto aguardam resultados de exames. Um deles apresenta secreção nasal. Um cidadão francês que viajou de avião ao lado de um caso confirmado e apresenta “sintomas leves” também está em isolamento.
Segundo Tedros, o comandante do navio relatou que “o moral melhorou bastante” desde que a rota para a Espanha foi retomada.
Chegada às Canárias provoca preocupação
A previsão de chegada do MV Hondius às Canárias ainda causa apreensão entre moradores da região.
“Não era nada e agora veja só”, disse à AFP o aposentado Marco González, morador de Granadilla de Abona, município onde deve ocorrer o desembarque dos passageiros.
O governo regional declarou ser contrário à atracação do navio em Tenerife e informou que a embarcação permanecerá ancorada distante da costa.
De acordo com autoridades locais, o desembarque será realizado “com uma lancha ou embarcação-mãe, que irá buscá-los, transportá-los e levá-los ao aeroporto de Tenerife Sul”.



