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Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira descobre registro como presidente da República ao buscar emprego em Jaboatão

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Uma situação inusitada transformou a busca por emprego da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva em um grande transtorno burocrático. Ao procurar atendimento na Agência do Trabalhador de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, ela descobriu que estava registrada há mais de vinte anos como presidente da República. As informações são do g1.

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A informação aparece tanto no sistema trabalhista quanto na Carteira de Trabalho Digital da profissional. De acordo com os registros, o vínculo foi iniciado em março de 2002 e ainda está ativo, com salário inicial de R$ 201,60. Após o caso vir à tona, outras duas mulheres relataram situações parecidas envolvendo o mesmo cargo.

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Os registros indicam que o vínculo estaria relacionado à Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, onde Aldenize trabalhou no início dos anos 2000 como merendeira. Ainda conforme os dados oficiais, o último pagamento registrado foi de R$ 15,42, em dezembro de 2002.

A administração municipal informou que a inconsistência surgiu durante a migração de dados do antigo sistema SEFIP para o e-Social. A prefeitura orientou que a ex-servidora procure a Unidade de Gestão de Pessoas para corrigir o cadastro.

Formada como técnica de enfermagem desde 2023, Aldenize relatou que buscava uma vaga na área há meses. Ela contou que entregou currículos e foi diversas vezes à agência de emprego, sem sucesso. O problema só foi identificado quando retornou ao local na última quarta-feira (13/5).

“Ele pega meu CPF, coloca no sistema. Olha para mim e fala: ‘a senhora está brincando comigo, né?’. Eu respondi: ‘brincando? Como assim?’. Ele disse: ‘como é que a senhora trabalha há 24 anos e 2 meses e tem o cargo de presidente da República desde 14 de março de 2002? E ainda vem aqui procurar emprego’”, relatou Aldenize Ferreira.

Segundo ela, o atendente mostrou o cadastro no computador e explicou que a situação poderia trazer consequências sérias no futuro.

“Eu falei: ‘agora tenho que tirar uma foto desse documento’. Ele disse: ‘a senhora não pode, tem que ter [o registro]’. Porque a senhora está dizendo que está desempregada. Mas aqui consta, está em aberto. Faz 24 anos e 2 meses que sua ficha está aberta. Isso pode causar um problema muito sério para a senhora. Mais pra frente, se precisar de aposentadoria, não vai conseguir”, afirmou.

Aldenize contou que nunca havia usado a versão digital da carteira de trabalho e só acessou o documento após a orientação no atendimento. Ela também disse que trabalhou para a prefeitura entre 2000 e 2002, período em que atuava em uma escola rural da comunidade de Manassu.

“Quando entrou outro prefeito, avisaram que não íamos mais trabalhar, porque o novo prefeito iria chamar outras pessoas. Mas isso não chegou a ser assinado na minha carteira. […] O serviço que eu fazia era em uma escola da zona rural. Eu era merendeira, cozinheira, fazia de tudo lá. Serviços gerais”, explicou a ex-funcionária, que afirma ter trabalhado na Escola Municipal Rural Elizabeth Menezes.

Para ela, a inconsistência pode estar impedindo novas contratações. “Acho que não estou conseguindo emprego justamente por conta desse problema, porque talvez [o vínculo] esteja em aberto”, declarou.

A situação também causou constrangimento à profissional. Sem emprego formal há anos, Aldenize afirmou que ficou desesperada ao descobrir que constava como “presidente da República” nos registros oficiais.

“Na hora me deu um choque, fiquei mal. Pensei em mil coisas, só imaginei o que poderia acontecer, de ser presa, porque isso é falsificação. Não fui eu que provoquei isso aí. […] Me senti constrangida, me senti como se fosse um palhaço fazendo graça para uma plateia”, contou Aldenize Ferreira.

Além da formação em enfermagem, ela também trabalha como cuidadora de idosos e realiza serviços informais para complementar a renda enquanto tenta uma vaga fixa.

“Eu gosto de cuidar de idosos, e também de crianças. Me viro como faxineira. Quando alguém está no hospital, eu vou, passo dois, três dias acompanhando, e também em casa. Às vezes, as pessoas precisam do meu serviço, eu vou dar um suporte, até conseguir um emprego formal, que é o que eu quero. Fiz o curso para isso. Estou com essa dificuldade e agora, com esse problema, acho que as coisas ficam ainda mais difíceis”, declarou.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que Aldenize deve comparecer à Unidade de Gestão de Pessoas, localizada no Palácio da Batalha, em Prazeres, para receber orientações sobre como regularizar o cadastro.

A administração municipal também afirmou que identificou um erro ocorrido durante a transferência de dados do SEFIP para o e-Social, o que teria causado registros incorretos de servidores em cargos genéricos classificados como “presidente da República”.

Segundo a prefeitura, medidas internas foram tomadas para evitar novos casos semelhantes. O município, porém, não informou quantas pessoas foram afetadas pela falha nem disse se haverá investigação sobre o erro cadastral.

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