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Clima de desinteresse e dificuldades marcam início da Copa do Mundo de 2026 nos EUA

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Faltando três dias para o início da Copa do Mundo de 2026, o ambiente nos Estados Unidos está bem diferente do que se espera para um evento desse porte. Relatos de pessoas ouvidas pelo Portal LeoDias, que está acompanhando tudo no local, apontam para uma combinação de falta de interesse da população, descaso das autoridades e valores abusivos cobrados pela organização.

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Instalada em Morristown, Nova Jersey, onde a Seleção Brasileira está se preparando para a competição, a imprensa do Brasil tem enfrentado grandes dificuldades nesses primeiros dias de cobertura. A infraestrutura limitada da cidade, com pouco mais de 20 mil moradores, somada à rigidez das autoridades, tem criado obstáculos para o trabalho dos jornalistas.

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Os profissionais da imprensa estão sendo impedidos de fazer transmissões ao vivo e de cobrir locais públicos por conta de restrições impostas pelas autoridades. Os únicos espaços onde há mais liberdade são o hotel da Seleção Brasileira, onde ocorrem as entrevistas coletivas, e o hotel onde a maioria dos jornalistas está hospedada.

Até mesmo registrar imagens dentro do Centro de Treinamento está sendo dificultado. Os jornalistas só podem filmar parte do treino da Seleção Brasileira no período autorizado pela CBF, sendo proibidos de gravar outras áreas do CT pela equipe de segurança local.

Não são apenas os brasileiros que enfrentam problemas. Um correspondente argentino do canal “Todo Noticias” foi retirado da sala de imprensa onde Lionel Scaloni, técnico da Argentina, responderia perguntas no Alabama. Apesar de estar credenciado, a segurança local não explicou o motivo da retirada.

A Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) enviou uma reclamação formal à FIFA questionando as dificuldades encontradas por jornalistas africanos e asiáticos para conseguir vistos e cobrir o torneio.

Trem a R$ 500 e estacionamento acima de R$ 1.000

Além dos ingressos com preços elevados, torcedores e jornalistas também sofrem com o custo do transporte. Além da dificuldade de locomoção nos países-sede, os valores cobrados por estacionamentos e transporte público têm revoltado quem acompanha o evento.

Por falta de subsídios da FIFA, os governos locais aumentaram significativamente o preço do transporte público. A partir desta segunda-feira (08/06), o trem que liga Nova Jersey a Nova York passará a custar U$ 98, valor que supera R$ 500 na cotação atual. O preço comum é de U$ 12,90 (ida e volta), cerca de R$ 67.

Esse reajuste foi consequência de um impasse entre o governo de Nova Jersey, que exigiu subsídios da FIFA para ampliar a operação do transporte, principal meio para turistas durante o evento.

Alugar um carro também não é uma alternativa viável. Além do preço alto da gasolina (o galão de 3,8 litros custa mais de 4 dólares), quem for ao Metlife Stadium, local do primeiro jogo do Brasil, terá que desembolsar 200 dólares (mais de R$ 1.037) para estacionar durante a partida. Normalmente, a tarifa varia de U$ 55 a U$ 75.

Problemas com vistos e estrutura local

Além das dificuldades enfrentadas por jornalistas e torcedores, as próprias seleções também passam por imprevistos na preparação. Um exemplo é a Seleção Japonesa, que está baseada no México, na região metropolitana de Monterrey.

Ao chegar para treinar no CT do Tigres, a delegação do Japão encontrou problemas graves de infraestrutura e gramados em más condições. A equipe mudou as atividades para a Universidade de Nuevo León, mas novamente se deparou com instalações e gramado insatisfatórios, optando então pelo CT do Monterrey.

Outras delegações também enfrentam dificuldades para conseguir vistos dos Estados Unidos. O Iraque teve vistos negados para oito jogadores meses antes da preparação. Após resolver a situação, o atacante Aymen Hussein, um dos principais nomes da equipe, foi detido ao desembarcar em Chicago e ficou sob interrogatório por oito horas.

O Irã também enfrenta problemas com vistos. Em meio à guerra com os Estados Unidos no Oriente Médio, a seleção iraniana foi alvo de sanções rigorosas. Além de ter que transferir a preparação do país para o México, a equipe será obrigada a entrar e sair dos EUA no mesmo dia das partidas. Todos os três jogos da primeira fase serão em solo americano.

Além disso, membros da comissão técnica e o presidente da federação, Mehdi Taj, tiveram vistos negados para ingressar nos Estados Unidos.

A Suíça também passou por situação semelhante com seu principal jogador, Breel Embolo, que teve a entrada barrada nos EUA devido a um processo judicial em seu país de origem.

Protocolos de segurança bastante rígidos e incomuns também chamaram atenção. A delegação do Uzbequistão foi submetida a uma revista rigorosa, com cães farejadores e detectores de metal, antes de entrar em um estádio em Nova York para amistoso contra a Holanda. Vale destacar que os holandeses não passaram pelo mesmo procedimento.

A Seleção de Senegal, há mais de uma semana nos Estados Unidos, também foi revistada na pista de pouso de um aeroporto americano. O vídeo, que circulou nas redes sociais, não esclarece se a revista ocorreu na chegada ou em um voo doméstico.

As restrições atingiram até os árbitros. Omar Abdulkadir Artan, da Somália, eleito melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol (CAF), foi impedido de entrar nos EUA, mesmo com passaporte diplomático. Em nota, a FIFA declarou que não interfere nos processos de visto do país.

NBA recebe mais atenção que a Copa

O desinteresse do público local também chama a atenção. A imprensa esportiva dos EUA praticamente ignora a Copa do Mundo, concentrando-se na cobertura das finais da NBA.

O New York Knicks enfrentou o San Antonio Spurs nesta segunda-feira (08/06). O jogo, realizado no Madison Square Garden, em Nova York, contou com a presença do presidente Donald Trump.

Copa prestes a começar

Com a proximidade do início do evento, a Copa do Mundo está prestes a começar. A abertura será no dia 11 de junho, quinta-feira, na Cidade do México, com o duelo entre México e África do Sul no estádio Azteca.

O primeiro jogo nos Estados Unidos acontece apenas na sexta-feira (12/06), entre EUA e Paraguai, na Califórnia. Segundo informações da organização, a FIFA ainda encontra dificuldades para vender todos os ingressos restantes.

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