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Teoria sobre Endrick fora da Seleção por causa de patrocínio ganha força na web

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Endrick se tornou, sem dúvida, o mais novo “queridinho” da Seleção Brasileira. Decisivo e carismático, o jovem ganhou a torcida do público brasileiro, que passou a pedir sua escalação nos jogos da Copa do Mundo. O atacante, entretanto, acabou ficando no banco e não entrou em campo na partida contra Marrocos. Desde então, surgiram especulações na internet tentando explicar por que Endrick não tem tido mais minutos. Uma das “teorias” mais comentadas envolve o material esportivo.

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Enquanto Endrick é patrocinado pela New Balance, fornecedora de material esportivo, a Seleção Brasileira mantém um contrato antigo e bastante lucrativo com a Nike, vigente desde a segunda metade dos anos 1990. Logo após o jogo do último sábado (13/06), internautas lembraram de um trecho do documentário de Ronaldinho Gaúcho, lançado este ano na Netflix, em que Assis, irmão e empresário do ex-jogador, explicou que, mesmo recebendo propostas mais vantajosas, optou por fechar com a Nike devido ao vínculo da Seleção com a marca.

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Afinal de contas, tem fundamento ou é apenas mais uma “teoria da conspiração”?

Historicamente, não existem registros de que a Nike teria exigido a convocação de determinados atletas devido a contratos. Inclusive, alguns titulares da Seleção Brasileira são patrocinados por marcas concorrentes no mercado esportivo (Casemiro, Bruno Guimarães e Raphinha, pela Adidas; Alex Sandro, pela Puma, por exemplo) e não pela Nike.

Além disso, o jogador mais midiático da Seleção, Neymar, que por boa parte do período pré-convocação chegou a ser praticamente descartado da Copa, atualmente é patrocinado pela Puma e já teve uma rescisão contratual litigiosa com a Nike há alguns anos.

O único momento em que a Nike teve algum tipo de influência sobre a convocação da Seleção Brasileira foi revelado durante a CPI do Futebol/Nike realizada no final dos anos 1990, logo após a Copa de 1998. Na ocasião, um contrato tornado público durante a CPI, relacionado à realização de amistosos e assinado também pela Nike, estipulava que a Seleção deveria colocar pelo menos 8 dos 11 titulares em campo nas partidas amistosas.

O documento não apontava nomes ou jogadores vinculados à marca, apenas solicitava que o Brasil priorizasse equipes mais fortes e competitivas, já que os jogos eram realizados fora do país.

Embora essa cláusula possa soar estranha para quem não conhece o funcionamento do mercado, é comum em negociações de amistosos, tanto em clubes quanto em seleções, exigir times próximos da força máxima para atrair mais público.

Dificuldade de Endrick em se firmar não é novidade

Além disso, é de conhecimento público que Endrick, desde o início de sua curta carreira, enfrentou dificuldades para conquistar espaço nas equipes por onde passou.

No Palmeiras, por exemplo, demorou até conseguir uma vaga entre os titulares, se firmando apenas na parte final da temporada de 2023. Nas semifinais da Libertadores daquele ano, quando o time foi eliminado pelo Boca Jrs., Endrick entrou apenas nos minutos finais das duas partidas. Grande parte da torcida ficou insatisfeita com o técnico Abel Ferreira por não dar mais oportunidades ao jovem.

Na época, o treinador português justificou dizendo que Endrick era muito novo para assumir tanta responsabilidade. Poucas semanas depois, no entanto, o atacante, então com apenas 17 anos, virou titular do Palmeiras e foi peça-chave na arrancada que garantiu o título brasileiro, com atuação de destaque na histórica virada contra o Botafogo por 4 a 3, quando marcou dois gols e deu uma assistência.

Na Seleção Brasileira, Endrick também passou por situação parecida sob o comando de Dorival Jr. Em suas primeiras chances, contra Inglaterra, em Wembley, e Espanha, no Santiago Bernabéu, o jovem impressionou e marcou gols. Convocado para a Copa América, Endrick voltou a se destacar ao marcar o gol da vitória em amistoso contra o México.

No entanto, quando começou a Copa América, Endrick novamente ficou no banco de reservas e não entrou em campo na fase de grupos. Só foi utilizado no segundo tempo do jogo contra o Uruguai, nas quartas de final, substituindo Vini Jr. em uma das trocas mais polêmicas da era Dorival Jr., mas não conseguiu se destacar. Nos pênaltis, a Seleção foi eliminada e voltou para casa.

Ao chegar ao Real Madrid, sob o comando do atual técnico da Seleção, Carlo Ancelotti, Endrick também teve dificuldades para se adaptar ao time. Apesar de sempre mostrar qualidade nos poucos minutos em campo, era pouco utilizado, atuando apenas em jogos de menor importância.

Na primeira temporada, a falta de espaço foi vista como normal, já que era muito jovem e outros brasileiros que hoje são estrelas do clube também passaram por período de adaptação, como Vini Jr. e Rodrygo. Porém, no segundo ano, quando se esperava que Endrick tivesse mais minutos, acabou “esquecido” pelo técnico Xabi Alonso, vendo Gonzalo García ganhar mais oportunidades. Nesse cenário, também foi “esquecido” na Seleção tanto por Dorival quanto por Ancelotti, que não o convocaram.

Depois de atuar pouco na primeira metade da temporada pelo Real Madrid, Endrick aceitou ser emprestado ao Lyon, buscando mais minutos para tentar retornar à Seleção. Apesar de apresentar bons números (6 gols e 7 assistências em 18 jogos), também foi criticado pelo técnico português Paulo Fonseca, que cobrou mais participação defensiva do atacante.

Mesmo assim, com destaque no clube francês, conseguiu retornar à Seleção Brasileira, mas quase ficou de fora. Nos amistosos de março, Endrick não entrou em campo contra a França. Um dia antes do jogo contra a Croácia, Ancelotti chegou a afirmar que o atacante era o “futuro da Seleção”, praticamente descartando sua convocação para a Copa do Mundo. No entanto, nos poucos minutos que teve em campo, sofreu um pênalti e deu uma assistência, ajudando o time a garantir a vitória.

“Desobediência tática” de Endrick ou teimosia de Ancelotti?

Uma reportagem publicada pelo Uol apontou que o principal motivo para Endrick não ter mais oportunidades na Seleção seria o fato de ser um jogador considerado “indisciplinado” taticamente. Ressaltando, Endrick não apresenta problemas de comportamento, mas tem dificuldade para seguir orientações táticas e técnicas.

No jogo contra Marrocos, Ancelotti queria um atacante que pressionasse a saída de bola da defesa adversária e não recuasse. Endrick, porém, tem como característica buscar o jogo, o que dificultaria o plano tático.

Ainda assim, é importante lembrar que até pouco tempo atrás o técnico da Seleção tentou montar um esquema com quatro atacantes bastante móveis: Vini Jr., Raphinha, Matheus Cunha e Luiz Henrique, formação que seria mais adequada ao estilo de Endrick.

Outro ponto é que Endrick costuma agir por intuição e improviso, sem seguir muitas “dicas”. Um exemplo citado foi um treino em que o atacante foi orientado a dominar a bola antes de finalizar. Mesmo acatando a orientação, na hora da jogada preferiu finalizar de primeira.

Apesar disso, o técnico italiano ainda tem planos de utilizar Endrick durante a Copa do Mundo, dependendo das circunstâncias, mesmo que, no momento, o jovem não esteja entre as principais opções.

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