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Estreia de Lionel Messi pela Argentina aconteceu em amistoso sub-20 contra o Paraguai em 2004

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A Seleção da Argentina se destacou como uma das principais vencedoras do futebol internacional no Século XXI. Mesmo assim, talvez o jogo mais marcante da albiceleste neste século não tenha sido uma final de Copa do Mundo ou Copa América, mas sim um amistoso “improvisado” da equipe sub-20 contra o Paraguai, em uma fria noite de inverno em um estádio pequeno e vazio no centro de Buenos Aires. O motivo para tanta importância é que foi nessa partida que aconteceu a estreia do maior nome do futebol argentino: Lionel Messi.

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Em 2004, o nome de Lionel Messi ainda era desconhecido para o público argentino e até mesmo para a Associação de Futebol Argentino (AFA), responsável pela seleção nacional. Naquele momento, Messi era apenas um jovem de 17 anos que atuava nas categorias de base do Barcelona, na Espanha. Ele já estava há sete anos no clube espanhol, depois de ter sido descoberto por olheiros que acompanhavam o Newells Old Boys, de Rosario, cidade onde Messi começou no futebol.

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Apesar de não ser conhecido pelos argentinos, Messi já despertava interesse da federação espanhola para atuar pelo país em torneios de base e, diante da falta de interesse da AFA, parecia natural que pudesse ser convocado para defender a Espanha. No entanto, o sonho do jovem era jogar pela seleção argentina.

O então auxiliar técnico da Seleção Argentina, Claudio Vivas, braço direito do técnico Marcelo Bielsa, foi procurado por Horacio Gaggioli, empresário de futebol ligado ao Barcelona e também natural de Rosario, assim como Messi. Gaggioli procurou o profissional da AFA e entregou uma fita cassete, dizendo que um jovem argentino estava se destacando na Espanha.

Em entrevista ao site Infobae, Vivas contou que mostrou a fita ao técnico Marcelo Bielsa, que ficou impressionado com o que viu: “Depois de um jogo contra o Japão, voltei e mostrei ao Bielsa. Ele pediu para colocar na velocidade normal. Respondi que já estava. Ele (Messi) driblava, chutava e fazia gol”.

Ao assistir ao vídeo, o técnico das seleções de base da Argentina, Hugo Tocalli, também ficou encantado com o jovem, mas avisou Bielsa que não conseguiria convocar Messi para o Mundial sub-17, pois o prazo de inscrição já havia acabado.

Mesmo assim, todos perceberam que, diante do interesse da Espanha, era necessário “amarrar” Messi à Seleção Argentina o mais rápido possível. Na época, as regras da FIFA diziam que, ao disputar uma partida oficial, mesmo amistosa, por qualquer seleção (base ou principal), o jogador não poderia defender outro país no futuro.

O problema era que a federação argentina só tinha o nome do jogador: Lionel Messi, sem nenhum contato direto. Segundo relatou o ex-funcionário da AFA, Omar Souto, ele precisou buscar uma lista telefônica de Rosario para tentar localizar parentes do jovem.

“Saí do centro de treinamento de Ezeiza (da AFA) e fui a uma cabine telefônica. Pedi uma lista telefônica de Rosario, era tudo o que sabíamos dele. Arranquei a página com os números da família Messi, liguei para uma casa aleatória para justificar minha entrada no centro de treinamento e voltei para encontrá-lo. O primeiro parente que localizei foi a avó. A avó de Lionel me passou o contato do tio. O tio me deu o contato do pai. Liguei para o pai, me apresentei e disse que queríamos trabalhar com o filho dele, mas acabei errando o nome: sempre ouvi dizer que Leo era apelido de Leonardo”, contou em entrevista para o livro “Messi: o gênio completo”.

Amistoso marcado às pressas e início do sonho

Depois de conseguir o contato do jogador, a AFA rapidamente organizou um amistoso da Seleção Sub-20 contra o Paraguai, no dia 29 de junho de 2004, no estádio do Argentinos Juniors, o mesmo onde Maradona começou sua carreira. Com árbitro chamado na véspera e presença de cerca de 500 pessoas, Messi e seus companheiros deram show e venceram os paraguaios por 8 a 0.

O resultado foi o que menos importou, mas aquele jogo, que poderia ser esquecido, garantiu que Messi permanecesse ligado à Seleção Argentina, mesmo com o interesse espanhol. No ano seguinte, Messi foi o principal destaque da Argentina na conquista da Copa do Mundo sub-20, disputada nos Países Baixos, com direito a vitória e gol contra o Brasil nas semifinais.

Ainda em 2005, poucos meses depois de conquistar o Mundial sub-20, Messi estreou pela seleção principal em outro jogo contra o Paraguai, desta vez pelas Eliminatórias e em Assunção, capital do Paraguai. Em 2006, Messi foi chamado para sua primeira Copa do Mundo e marcou seu primeiro gol pela seleção principal em um amistoso preparatório contra a Croácia. Dias depois, em sua estreia em Copas, marcou contra a Sérvia e Montenegro na goleada argentina por 6 a 0.

A partir daí, Messi se firmou como um dos maiores jogadores da história do futebol e provou que um amistoso que parecia “sem importância” foi fundamental para que ele pudesse fazer história com a camisa da Argentina.

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