Durante quase toda a edição de 2026, a Copa do Mundo foi apresentada como a “Copa dos protagonistas”. No entanto, a grande vencedora, Espanha, se destaca não por um nome específico, mas sim pelo seu jogo coletivo, que superou todos os adversários. Muitos ainda podem afirmar que o título pertence a Rodri, eleito “bola de ouro” do torneio, ou a Yamal, jovem estrela e atleta mais midiático. Porém, ao contrário dos rivais, a Espanha funciona como uma verdadeira orquestra, onde todos os jogadores são essenciais para o sucesso.
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Talvez não seja um título que desperte tanta emoção, já que os espanhóis, focados, raramente deixam suas partidas ficarem “emocionantes” como a Argentina. Também não é um elenco repleto de superestrelas como a França, nem possui um hino marcante como “Wonderwall” acompanhando a campanha, como a Inglaterra. Mas, se falamos de justiça, não há do que reclamar: o troféu ficou com o melhor time, no sentido mais literal da palavra.
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Do “susto” na estreia, com o empate diante de Cabo Verde, que surpreendeu negativamente, a Espanha passou a dominar completamente seus rivais. Mesmo variando entre jogos melhores e piores, sempre manteve o controle. O gol do título foi marcado por Ferran Torres, mais um entre os espanhóis a ter uma Copa discreta, sempre saindo do banco e apresentando números modestos: 1 gol e 1 assistência, ambas em fases eliminatórias.
Na decisão, o domínio espanhol pode não ter aparecido no placar, mas ficou evidente nas estatísticas: foram 21 finalizações contra 3 da Argentina. Nenhuma das três tentativas argentinas foi ao gol, e todas aconteceram depois do gol da Espanha. E quem pensa que a expulsão de Enzo Fernández mudou o rumo do jogo está enganado. Na verdade, a Espanha apenas continuou impondo seu estilo.
Assistir aos jogos da Espanha pode até não ser empolgante. Porém, é uma verdadeira aula de futebol, mostrando que um projeto bem estruturado traz resultados. Só neste ciclo, “La Roja” foi campeã da Liga das Nações (2022/23), Eurocopa (2024), Olimpíada (2024) e agora do Mundo (2026). O único título que escapou foi o da Liga das Nações 2024/25, perdido na final nos pênaltis.
E o mais impressionante é que esta Espanha tem uma base muito jovem, com nomes como Yamal (19 anos), Pedri (23 anos), Cubarsí (19 anos) e outros jogadores que, mesmo não sendo tão jovens, têm condições de disputar outra Copa do Mundo, como Rodri, Dani Olmo e Cucurella.
A Argentina, apesar da dor da derrota, mostrou muita garra e entrega dos seus jogadores. O destino, entretanto, acabou sendo um pouco cruel com Lionel Messi, considerado o maior jogador argentino de todos os tempos (com todo respeito a Maradona). Messi começou a Copa quebrando recordes, mas se despede do mundial sem título e sem alcançar a marca de maior artilheiro das Copas, ultrapassado por Mbappé.
Mesmo assim, Messi transformou sua (provável) última participação com a Seleção Argentina em um tango inesquecível, ao som dos mais belos acordes de Carlos Gardel. A inveja brasileira, agora, se mistura com um certo alívio, mas não deixa de ser inveja.


