
Gabriel Bortoleto foca no painel antes da largada com a escuderia Audi. (Foto: Instagram)
Nem toda corrida é decidida na largada, mas ela pode influenciar o rumo da prova. Na primeira metade da temporada 2026 da Fórmula 1, Gabriel Bortoleto precisou lidar com uma dificuldade reconhecida pela própria Audi nos metros iniciais das corridas. Apesar disso, o brasileiro conseguiu transformar perdas de posição em resultados consistentes.
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O problema das largadas foi admitido pela Audi. Em entrevistas a veículos internacionais, Mattia Binotto, chefe da equipe, afirmou que o início das provas ainda é uma das áreas que precisam de melhorias no projeto da equipe alemã.
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“Temos tido largadas ruins, e isso não é novidade. Portanto, certamente esta não é uma das nossas forças no momento. A razão pela qual isso ainda não foi resolvido é que não é algo fácil de corrigir. Mas, por outro lado, sabemos que é uma prioridade para nós”, disse em entrevista à RacingNews365.
Mesmo com esse obstáculo, Bortoleto tem conseguido minimizar as perdas e manter a consistência ao longo das corridas. Em 10 provas disputadas até o GP da Hungria, o brasileiro perdeu posições nas primeiras 10 voltas em seis ocasiões, mas conseguiu recuperar terreno em boa parte delas.
O padrão de recuperação se repete em diferentes momentos do campeonato. No GP do Canadá, por exemplo, Bortoleto largou em 13º e caiu seis posições nas primeiras 10 voltas. No entanto, ao longo da corrida, ele recuperou todo o prejuízo e terminou novamente em 13º.
Em Barcelona, a situação foi semelhante. O brasileiro partiu da 12ª posição, perdeu cinco lugares no início da prova, mas terminou em 11º, uma posição acima da largada.
A consistência também ficou evidente quando o brasileiro conseguiu evitar o problema inicial. Em Silverstone, largou em 11º, ganhou uma posição nas primeiras dez voltas e terminou em oitavo, seu melhor resultado da temporada até agora.
Retrospecto de Bortoleto na temporada 2026:
- Austrália: largou em 10º, perdeu duas posições nas primeiras dez voltas e terminou em 9º.
- China: não largou.
- Japão: largou em 9º, perdeu cinco posições nas dez primeiras voltas e terminou em 13º.
- Miami: largou em 21º, ganhou seis posições nas primeiras dez voltas e terminou em 12º.
- Canadá: largou em 13º, perdeu seis posições nas primeiras dez voltas e terminou em 13º.
- Mônaco: largou em 16º, perdeu cinco posições nas primeiras dez voltas e terminou em 13º.
- Barcelona: largou em 12º, perdeu cinco posições nas primeiras dez voltas e terminou em 11º.
- Áustria: largou em 12º, ganhou uma posição nas primeiras dez voltas e terminou em 11º.
- Silverstone: largou em 11º, ganhou uma posição nas primeiras dez voltas e terminou em 8º.
- Spa-Francorchamps: largou em 8º, perdeu três posições nas primeiras dez voltas e terminou em 8º.
- Hungria: largou em 14º, manteve a posição nas primeiras dez voltas e terminou em 11º.
A regularidade do brasileiro também aparece no resultado geral da temporada. Após o GP da Hungria, última etapa antes da pausa de verão da categoria, ele soma 10 pontos e ocupa a 14ª posição no Mundial de Pilotos.
Números de Bortoleto na primeira metade de 2026:
- 10 corridas disputadas (não largou no GP da China);
- 10 pontos conquistados;
- 14º lugar no Mundial de Pilotos;
- 6 provas com perda de posições nas primeiras 10 voltas;
- 2 oitavos lugares, seus melhores resultados no ano;
- 9 posições ganhas em Miami, maior avanço entre largada e chegada;
- Canadá como maior recuperação após uma largada difícil, recuperando seis posições perdidas no início.
Se a corrida do Canadá destaca a capacidade de recuperação após uma largada ruim, Miami mostra outro aspecto da temporada de Bortoleto: a habilidade de construir uma corrida mesmo partindo de uma situação complicada.
O brasileiro largou em 21º e ganhou seis posições nas primeiras 10 voltas. Até a bandeirada, avançou mais e terminou em 12º, nove posições acima do lugar conquistado no grid.
A corrida também reforça um comportamento que apareceu ao longo do campeonato: Bortoleto não depende apenas de uma boa posição inicial para entregar resultado.
O PROBLEMA DAS LARGADAS
A dificuldade da Audi nas largadas está relacionada principalmente ao comportamento do conjunto de potência desenvolvido para 2026. Segundo o The Race, o problema não envolve apenas falta de potência, mas uma combinação entre força do motor, eficiência energética, entrega de energia e dirigibilidade do carro.
Um dos pontos destacados pelo site é que a Audi enfrenta dificuldades no controle da entrega de potência nos primeiros metros. O funcionamento do motor, as calibrações do software e a forma como a energia elétrica é utilizada influenciam diretamente a aceleração inicial do carro.
Além disso, outro fator está relacionado ao tamanho do turbocompressor utilizado pela equipe, que exige um gerenciamento mais cuidadoso da entrega de força. Segundo o portal, as largadas ruins da Audi são uma consequência desse conjunto de características.
SEGUNDA METADE DA TEMPORADA
O GP da Hungria encerrou a primeira parte do campeonato antes da tradicional pausa de verão da F1. A categoria retorna em 23 de agosto, com o GP da Holanda, em Zandvoort.
Restam 10 corridas para o fim da temporada 2026, e Bortoleto terá pela frente a segunda metade do calendário buscando manter a regularidade apresentada até aqui.


