Mais de nove meses após o término do remake de “Vale Tudo”, a autora Manuela Dias comentou uma das principais mudanças no roteiro em relação à versão original de 1988: o desfecho de Odete Roitman. Em entrevista à Rádio Metrópole, a escritora afirmou que deixar a personagem viva simbolizou a continuidade das estruturas de poder e celebrou a repercussão da história da vilã.
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“Por que eu não matei a Odete? Porque a elite não morre. A elite e o poder instituído mudam para permanecer iguais. É como o capitalismo. Para mim, fazia todo sentido que a Odete continuasse viva”, disse Manuela, explicando que quis manter a história aberta até o final: “Eu quis entregar ao público todas as possibilidades, mas a elite não morre”.
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A autora também comemorou o debate causado pela alteração no enredo: “Entendo a angústia do público diante das mudanças. É uma novela icônica, não teria como passar despercebida e não gerar discussão. Que bom que gerou polêmica, porque o pior é a indiferença. Reclamar não quer dizer que não gostou. Reclamar é se importar. E a novela propôs esse jogo. Não faria sentido fazer uma novela exatamente igual”.
Outra mudança destacada por Manuela Dias foi a revelação de que Leonardo, filho de Odete, estava vivo e escondido da família. De acordo com a autora, a ideia surgiu de forma inesperada e foi fundamental para o desempenho da trama: “O Leozinho, filho da Odete… Eu tive essa ideia no meio da noite, pensei: ‘Ele não morreu’. Isso foi o que impulsionou a novela em termos de audiência”.
Na adaptação exibida em 2025, Odete Roitman (Debora Bloch) leva um tiro de Marco Aurélio (Alexandre Nero). Todos, inclusive o público, acreditam que ela morreu. Porém, flashbacks mostrados no último capítulo revelam que a vilã sobreviveu com a ajuda de Freitas (Luis Lobianco), foi operada em uma clínica clandestina e fugiu do país de helicóptero. Na versão original, exibida em 1988, a personagem interpretada por Beatriz Segall é assassinada a tiros, por engano, por Leila (Cássia Kis).


