Em um movimento considerado sem precedentes, as 41 federações nacionais que integram a Concacaf (Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe) realizaram uma reunião de emergência nesta quinta-feira (30/07) e decidiram, por unanimidade, se posicionar formalmente contra a proposta da Fifa de criar uma subsidiária comercial e negociar participações acionárias com investidores privados. A decisão foi tomada em videoconferência com a participação de representantes de países com tradição no futebol regional, como Estados Unidos, México e Canadá — nação que sediou a última Copa do Mundo.
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A reunião contou com representantes de todas as federações filiadas e reforçou a oposição ao projeto da Fifa, que vem sendo discutido desde o início da semana. O encontro virtual também evidenciou a preocupação das federações com a governança e autonomia do futebol na região.
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Contexto da proposta da Fifa
O projeto, chamado de Fifa Forward Enterprise (FFE), foi anunciado pela entidade máxima do futebol mundial na última terça-feira (28) e prevê a criação de uma empresa avaliada em US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 102,6 bilhões). A ideia da Fifa é vender até 20% de participação nessa nova subsidiária para investidores externos, o que poderia gerar cerca de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) para a organização.
A proposta ainda está em fase de consulta e precisa ser aprovada em votação com as 211 associações-membro da Fifa. Cada federação nacional teria a chance de adquirir, uma única vez, uma participação de US$ 20 milhões (R$ 111 milhões) na empresa, o que equivale a 0,1% do capital.
Motivos da oposição
A Concacaf não foi a primeira confederação a se posicionar contra o projeto. A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), que reúne 55 federações, foi a primeira a reagir e considerou a proposta como uma “linha que não deve ser ultrapassada”. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também demonstrou preocupação com o plano.
Os principais pontos de crítica das confederações são:
Falta de consulta prévia: Tanto a Concacaf quanto a AFC afirmaram que souberam do plano apenas pela imprensa, e não por meio de discussões oficiais com os órgãos de governança do futebol.oglobo.
Ausência de transparência: A Concacaf definiu o processo como “carente de devido processo” e lamentou que detalhes do projeto tenham sido divulgados publicamente antes de qualquer discussão com as partes envolvidas.
Riscos à governança: Existe preocupação com aspectos legais, comerciais e estratégicos ao permitir que investidores privados tenham participação em competições como a Copa do Mundo.
Impacto da decisão
A união entre Uefa, Concacaf e AFC representa uma maioria expressiva no futebol mundial: juntas, essas três confederações reúnem 143 das 211 federações filiadas à Fifa. Essa grande coalizão aumenta a pressão sobre o presidente Gianni Infantino e o conselho da Fifa para que reconsiderem ou alterem de forma significativa a proposta.
A Fifa declarou, em nota, que o projeto ainda está em fase de consulta e que seguirá ouvindo as federações membro antes de tomar uma decisão definitiva. As 211 associações nacionais têm até o dia 19 de setembro para se posicionar sobre o modelo sugerido.
Repercussão no cenário futebolístico
A crise provocada pela proposta da Fifa é apontada como uma das mais sérias já enfrentadas pela entidade em tempos recentes. Especialistas alertam que a venda de participações acionárias em torneios como a Copa do Mundo pode comprometer a integridade esportiva e a autonomia das federações nacionais em decisões que influenciam o futuro do futebol global.
Até o fechamento desta reportagem, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) ainda não havia divulgado posição oficial sobre o tema.


