
O que parecia ser uma chance de emprego terminou em prisão. O empresário Hermelindo Henrique saiu de São Paulo após aceitar uma proposta para prestar serviços em Luanda, capital de Angola. Ao chegar ao país, ele afirma ter descoberto um possível esquema ilegal. Após denunciar o caso às autoridades, acabou sendo detido. As informações são do programa “Cidade Alerta”, da Record.
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Até então dono de uma loja de celulares em São Paulo, Hermelindo recebeu a proposta de um cliente angolano que costumava frequentar seu comércio. Conforme o contrato assinado pelo brasileiro, ele viajaria para atuar no suporte de informática de uma universidade, ajudando alunos e professores.
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Uma fonte próxima ao empresário, que pediu para não ser identificada, relatou à reportagem como surgiu o convite. “O cara falou: ‘Eu tenho uma proposta: lá na Angola, eu preciso de alguém que ensine uns pessoais da universidade a programar os sistemas, porque eles não estão sabendo fazer’”, contou.
Convencido pela proposta, Hermelindo assinou o contrato e embarcou para Angola. Segundo a mesma fonte, toda a viagem foi paga pelos contratantes. “Eles pagaram o passaporte, toda a documentação para agilizar a saída e a passagem”, detalhou. Ao chegar ao condomínio onde ficaria hospedado, ele enviou fotos à família e demonstrou empolgação com a nova oportunidade.
No entanto, a situação mudou rapidamente. Conforme relato do empresário, ele foi informado de que não trabalharia na universidade e deveria permanecer no apartamento realizando outras tarefas. Hermelindo contou à família que o grupo pretendia invadir sistemas bancários de Angola para desviar dinheiro de instituições financeiras.
Ainda segundo o brasileiro, o esquema envolveria pessoas influentes, incluindo policiais e líderes religiosos. Em mensagens enviadas à família, ele disse que se recusou a participar da operação e, por isso, passou a ser ameaçado. “Ele falou que estava em cárcere privado, que não podia sair do apartamento e que havia dias em que não comia”, relatou a fonte.
Após conseguir pedir socorro, Hermelindo acionou as autoridades, enquanto a família reforçou a denúncia no Brasil. A polícia angolana chegou a ir ao imóvel onde ele estava, mas, como foi o próprio brasileiro quem atendeu a porta, os agentes concluíram que não havia indícios de cárcere privado.
Dias depois, porém, os policiais retornaram ao local. Desta vez, Hermelindo foi levado para uma delegacia e teve prisão preventiva decretada, acusado de integrar a mesma quadrilha que diz ter denunciado. As autoridades de Angola continuam investigando o caso e apuram o possível envolvimento do empresário e de outras pessoas no suposto esquema.
Em nota, o Itamaraty informou que acompanha o caso por meio da Embaixada do Brasil em Luanda, mas destacou que não pode interferir nas investigações conduzidas pelas autoridades angolanas, nem promover a repatriação de brasileiros sob custódia de outro país. Enquanto isso, a família acompanha o processo à distância e tenta viabilizar o retorno ao Brasil.


