Hytalo Santos e Israel Natã Vicente, conhecido como Euro, completam em agosto um ano detidos. Presos desde agosto de 2025, ambos foram condenados em primeira instância em fevereiro deste ano por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes e, mesmo após seis meses da sentença, seguem custodiados na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, o Presídio do Róger, em João Pessoa, unidade voltada a presos provisórios.
++ Cresce o número de brasileiros usando IA para gerar conteúdo e atrair clientes
O fato de continuarem no Róger chama a atenção porque, após a condenação em primeira instância e a definição do regime fechado, a expectativa, conforme apuração do portal LeoDias, era que Hytalo e Euro fossem transferidos para uma penitenciária de cumprimento de pena, como a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, também em João Pessoa.
++ Lei Vini Jr. é aplicada pela primeira vez e jogador é expulso na Copa do Mundo
Permanência no presídio provisório
De acordo com informações obtidas pelo portal LeoDias, o fato de a defesa ter recorrido da sentença não impediria, por si só, uma eventual transferência para uma unidade mais adequada à nova situação processual dos condenados. A avaliação repassada à reportagem é que, em situações similares com outros presos, a pessoa pode ficar provisoriamente na unidade onde já está enquanto são tomadas as providências para a transferência, mas esse período normalmente não se prolonga por tantos meses.
Segundo o repórter Rafael Araújo, correspondente do portal LeoDias, a transferência de presos condenados costuma ocorrer em um prazo bem menor, podendo ser feita em cerca de uma semana após a sentença, a depender dos trâmites administrativos e judiciais.
No caso de Hytalo e Euro, porém, já se passaram cerca de seis meses desde a condenação e ambos continuam no mesmo local em que foram colocados após a prisão.
A apuração também indica que a manutenção na unidade poderia ser justificada, em alguns casos, pela necessidade de manter funções exercidas pelo detento dentro do presídio, como trabalhos de cozinha, serralheria ou outras atividades internas, até que outro preso seja designado para substituí-lo. Mas, segundo informações obtidas pela reportagem, este não seria o caso de Hytalo e Euro.
A avaliação é de que a permanência prolongada dos dois na Penitenciária do Róger é uma situação fora do padrão esperado e que o caso estaria recebendo tratamento diferente do observado em situações de presos sem a mesma visibilidade pública.
A Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Róger, é uma unidade em João Pessoa destinada a presos provisórios. Já a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto é uma das unidades prisionais da capital paraibana.
Procurada pelo portal LeoDias, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba informou que, até o momento, não recebeu a Guia de Execução Penal necessária para efetuar a transferência.
“Gostaria de informar que aguardamos o recebimento da Guia de Execução Penal para viabilizar a transferência dele. Conforme o procedimento padrão do Estado, a transferência de presos provisórios depende da chegada desse documento. Portanto, mesmo já sentenciado, a transferência depende exclusivamente do recebimento da referida guia”, disse a secretaria em nota ao portal LeoDias.
Ao portal LeoDias, o advogado de Hytalo Santos e Euro, Felipe Cassimiro, afirmou que os influenciadores seguem na unidade prisional provisória porque estão sob prisão preventiva, decretada em agosto do ano passado para evitar possíveis interferências nas investigações.
“Eles se encontram em cumprimento provisório da pena em razão da prisão preventiva. Atualmente, temos recursos em andamento e se discute em paralelo a revogação das prisões preventivas. Não persiste esse argumento de potencial interferência em investigações. Hytalo e Euro preenchem todos os requisitos para que aguardem o julgamento dos recursos em liberdade, é rigorosamente o que estamos brigando. O STJ ainda não examinou o mérito das prisões, seguimos confiantes. Não necessariamente. Há possibilidade de soltura enquanto eles se encontram no Roger”, explicou o advogado.
Um ano desde a prisão
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em 15 de agosto de 2025, em uma casa alugada em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Eles saíram da Paraíba depois que o caso ganhou repercussão nacional e foram localizados pelas autoridades de São Paulo.
Em 28 de agosto daquele ano, ambos foram transferidos para João Pessoa. Após chegarem à Paraíba e passarem por exames de corpo de delito, foram encaminhados ao Presídio do Róger, onde permanecem até hoje.
Assim, neste mês de agosto de 2026, o casal completa um ano de prisão. O período inclui tanto a fase em que respondiam ao processo criminal como presos preventivos quanto os meses seguintes à condenação em primeira instância.
Condenação em fevereiro
A sentença criminal foi proferida pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, e tornou-se pública em 22 de fevereiro deste ano.
Hytalo foi condenado a 11 anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Euro recebeu pena de oito anos, 10 meses e 20 dias, também em regime inicialmente fechado. A decisão ainda determinou o pagamento de indenização de R$ 500 mil por danos morais e de 360 dias-multa para cada um dos réus.
Segundo a sentença, os adolescentes envolvidos nas produções eram inseridos em um ambiente descrito pelo magistrado como semelhante a um “reality show”, marcado por exposição a situações consideradas inadequadas e de risco. A decisão também apontou exploração da vulnerabilidade dos adolescentes para obtenção de audiência e lucro com conteúdos publicados nas redes sociais.
Apesar da condenação, a prisão preventiva foi mantida. A defesa informou que recorreria da decisão.
Habeas corpus foi negado
Dois dias após a divulgação da sentença, em 24 de fevereiro, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba analisou outro pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.
O colegiado decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva de Hytalo e Israel. O pedido começou a ser analisado antes da sentença e discutia a manutenção da custódia. O relator, desembargador João Benedito da Silva, chegou inicialmente a votar pela substituição da prisão por medidas cautelares, mas esse entendimento não prevaleceu.
Desde então, os dois continuam presos enquanto a defesa tenta reverter a condenação por meio de recursos cabíveis.
Como o caso começou
As primeiras investigações envolvendo Hytalo Santos começaram ainda em 2024. O Ministério Público da Paraíba passou a apurar denúncias sobre festas em um condomínio de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, com participação de adolescentes, consumo de bebidas alcoólicas e situações consideradas inadequadas para menores.
A investigação envolveu diferentes frentes do Ministério Público. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho abriu procedimento após uma denúncia anônima recebida em dezembro de 2024. O objetivo era apurar possíveis irregularidades envolvendo adolescentes que participavam das produções digitais.
O caso ganhou repercussão nacional em agosto de 2025, após o youtuber Felipe Bressanim, conhecido como Felca, publicar um vídeo denunciando a exposição de adolescentes nas produções de Hytalo. A publicação, que abordava o fenômeno chamado de “adultização”, ultrapassou 50 milhões de visualizações e aumentou a pressão sobre as autoridades.
Dias depois, as redes sociais de Hytalo foram retiradas do ar. A Justiça também determinou o bloqueio dos perfis, a proibição de contato com adolescentes citados na investigação e a desmonetização dos conteúdos.
Buscas e prisão em São Paulo
Em 13 de agosto de 2025, a residência de Hytalo, em um condomínio de luxo no bairro Portal do Sol, em João Pessoa, foi alvo de mandado de busca e apreensão. O influenciador não estava no local quando os policiais chegaram.
No dia seguinte, novas buscas foram autorizadas em endereços ligados ao casal. Israel Vicente passou a ser investigado no mesmo contexto.
Em 15 de agosto, ambos foram localizados e presos em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Desde então, a prisão preventiva foi questionada pela defesa em diversas ocasiões.
Os pedidos de liberdade, no entanto, foram negados. Em fevereiro de 2026, o próprio Tribunal de Justiça da Paraíba voltou a manter a custódia dos dois.
Outras investigações
Além do processo criminal que resultou na condenação em primeira instância, Hytalo e Euro também são alvos de investigações em outras áreas.
Na Justiça do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho apura denúncias de tráfico de pessoas, exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. O casal também foi


