Quem saiu de casa no dia 6 de setembro já sabia que São Pedro havia dado o recado. A chuva, praticamente sem pausa durante todo o dia, não deixava espaço para esperanças. Saímos equipados com capa, bota, galocha, casaco impermeável e tudo o que pudesse nos proteger ou, ao menos, nos fazer acreditar que estávamos prontos.
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Chuva faz parte do pacote. Quem frequenta festivais sabe que alguns perrengues são inevitáveis. Acompanho o Rock in Rio desde 2015 e sei que filas, cansaço e imprevistos são comuns. Mas, desta vez, foi diferente. O problema não foi exatamente a chuva, mas o impacto que ela teve em toda a operação. Brinquedos fechados por segurança e filas intermináveis fizeram até tarefas básicas, como comer e ir ao banheiro, se tornarem quase impossíveis.
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Os banheiros, de modo geral, sofreram bastante com as filas. Cheguei a ver cerca de 200 metros de fila para algo básico. E, nesse contexto, a configuração do TODS+ For All, uma das opções de banheiro unissex do festival, me pareceu dificultar ainda mais o fluxo. Antes que alguém distorça: não é uma crítica à inclusão. É uma questão operacional. Homens que poderiam usar rapidamente um mictório passaram a disputar as mesmas cabines e, num festival com milhares de pessoas, segundos a mais por atendimento viram minutos de espera. O TODS+ não foi o único motivo das filas, longe disso, mas, na minha experiência, pareceu colaborar para que o fluxo ficasse ainda mais lento.
E não foi só para ir ao banheiro. Comer também virou um teste de paciência. Filas enormes, espera sem fim e a sensação de que você precisava escolher entre perder boa parte do show ou simplesmente desistir de comer. Vi pessoas recorrendo às laterais dos banheiros e ao gramado para resolver uma necessidade básica que a estrutura deveria suprir. Em certo momento, a pergunta deixou de ser “qual show eu quero ver?” e passou a ser: “qual fila eu consigo encarar hoje?”
Esta foi minha sexta edição do Rock in Rio — 2015, 2017, 2019, 2022, 2024 e 2026 — e, sem dúvida, a pior experiência que já tive. Não por causa da chuva, mas porque o perrengue deixou de ser apenas parte do festival e passou a tomar conta dele. Fui preparada para encarar os caprichos de São Pedro. Só não imaginei que teria que enfrentar o próprio Rock in Rio.
A chuva já foi embora. A lama vai secar. Mas a sensação de que, desta vez, o perrengue superou a experiência… essa vai permanecer.


