Uma acusação atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou ao centro da crise envolvendo o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado. Segundo reportagem da revista Veja, Vorcaro teria relatado às autoridades o pagamento de US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões na cotação mencionada à época, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma conta no exterior. Alcolumbre nega ter recebido qualquer valor e afirma que pretende levar o caso à Justiça.
A acusação ganhou novo peso no debate político porque, ao mesmo tempo em que o nome de Alcolumbre aparece no relato atribuído a Vorcaro, o senador vem sendo pressionado por parlamentares da oposição a dar andamento a pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O que Vorcaro teria dito
De acordo com a Veja, a informação sobre o suposto pagamento surgiu durante as negociações de uma proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro. Segundo o relato divulgado, o ex-banqueiro teria afirmado que o dinheiro foi depositado em uma conta secreta no exterior como contrapartida à atuação de Alcolumbre em interesses relacionados ao Banco Master no Congresso. A operação teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
A informação, porém, é uma acusação atribuída a Vorcaro e não uma conclusão de que o pagamento ocorreu. O presidente do Senado nega categoricamente ter recebido dinheiro do empresário.
Em nota divulgada após a publicação da reportagem, Alcolumbre afirmou que as alegações são “absolutamente falsas” e declarou que jamais recebeu valores de Vorcaro, no Brasil ou no exterior. O senador também informou que adotaria medidas judiciais contra os responsáveis pelas acusações.
E onde entra o impeachment de Moraes?
O nome de Alcolumbre passou a ser ainda mais citado no debate depois que senadores da oposição intensificaram a pressão para que ele dê andamento a pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Em 1º de setembro, após a divulgação de informações de um relatório da Polícia Federal sobre as relações entre Moraes e Vorcaro, senadores como Carlos Viana, Cleitinho, Damares Alves, Esperidião Amin, Flávio Bolsonaro, Izalci Lucas, Luis Carlos Heinze e Magno Malta defenderam o afastamento do ministro por impeachment ou renúncia.
Na ocasião, Alcolumbre foi questionado sobre o assunto e afirmou que havia 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros do Supremo. O presidente do Senado disse que esse número “não é normal”, mas não indicou que pretendia abrir imediatamente um processo contra Moraes.
Segundo o Metrópoles, Alcolumbre sinalizou que não deveria dar andamento aos pedidos, mesmo diante da pressão da oposição. A publicação também destacou que cabe ao presidente do Senado decidir sobre o encaminhamento inicial de pedidos de impeachment contra ministros do STF.
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Repercussão
O caso também repercutiu nas redes sociais. Um internauta relacionou a acusação atribuída a Vorcaro ao fato de Alcolumbre ser o responsável por decidir sobre o andamento dos pedidos de impeachment contra ministros do STF. “Vorcaro diz que deu R$ 155 milhões a Alcolumbre e querem que ele paute impeachment de Moraes com o mesmo banqueiro?”, questionou.
A relação, no entanto, não está comprovada. Até o momento, a informação sobre o suposto pagamento é baseada no relato atribuído a Vorcaro, enquanto Alcolumbre nega ter recebido qualquer quantia. Também não há evidência apresentada nas informações citadas de que o suposto pagamento tenha relação com a decisão do presidente do Senado sobre os pedidos de impeachment de Moraes.


