O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova diretriz que restringe a concessão de vistos a cidadãos estrangeiros. Desta vez, a medida atinge pessoas ligadas a ações que Washington considera discriminatórias contra minorias raciais na África do Sul. O anúncio foi feito na última terça-feira (15/9) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
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De acordo com o secretário, as restrições poderão alcançar indivíduos considerados responsáveis ou cúmplices na criação de políticas que permitam expropriação de terras sem compensação, promovam discriminação racial ou incentivem violência contra minorias étnicas e raciais. Os nomes dos alvos das restrições não foram divulgados.
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A legislação permite que propriedades sejam desapropriadas com compensação considerada nula. No entanto, o governo Trump afirma que certas ações adotadas pela capital sul-africana, Pretória, prejudicam a minoria branca, especialmente os africâneres, grupo formado em sua maioria por descendentes de colonizadores europeus.
A decisão intensifica o desgaste diplomático entre as administrações de Donald Trump e Cyril Ramaphosa. Desde o retorno de Trump à presidência, Washington tem criticado principalmente as políticas de reforma agrária e de combate às desigualdades raciais mantidas pela África do Sul desde o período do apartheid. O país tenta diminuir a desigualdade histórica na distribuição de terras rurais, resultado de décadas de políticas segregacionistas e racistas.
A África do Sul contestou a interpretação dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (16/9), o Ministério das Relações Exteriores sul-africano declarou que as restrições se baseiam em uma leitura equivocada das políticas nacionais e defendeu que as diferenças sejam tratadas por meio dos canais diplomáticos.
Pretória nega a existência de qualquer política de perseguição à população branca. O governo de Ramaphosa argumenta que suas iniciativas têm como objetivo combater desigualdades econômicas e raciais que persistem mais de trinta anos após o fim oficial do apartheid.
O clima de tensão já havia levado a outras ações de Washington. O governo Trump cortou parte da ajuda destinada à África do Sul e adotou medidas que favorecem o reassentamento de africâneres nos Estados Unidos.
No momento, o governo americano não informou quantas pessoas poderão ser impedidas de entrar nos Estados Unidos nem apresentou uma lista dos atingidos.


