Mensagens e outros registros encontrados pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foram usados pela investigação para apontar uma relação próxima entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo informações da CNN, o material reúne pedidos de ajuda feitos pelo banqueiro, referências a informações sobre o Banco Central e solicitações para que autoridades fossem acionadas em meio às investigações sobre o banco.
Segundo a PF, foram identificadas 52 mensagens entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. Parte delas é atribuída diretamente a Moraes, enquanto em outros trechos os investigadores afirmam suspeitar que ele seria o interlocutor de Vorcaro. As respostas do ministro não aparecem integralmente no material divulgado.
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De acordo com a CNN, em uma das mensagens, Vorcaro relatou ao interlocutor que dizia ter recebido informações confidenciais de pessoas ligadas ao Banco Central. Ele afirmou: “Informações informais e em confidência de turma do Banco Central, que G e os diretores estão na pressão máxima de novo pra uma medida, pois o Bacen [Banco Central] esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim”.
Na sequência, Vorcaro mencionou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”, escreveu.
A investigação também identificou registros nos quais Vorcaro afirmava possuir contatos dentro do Banco Central. Em outra mensagem, ele escreveu: “De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados. Eles participaram das reuniões, por isso info 100%. Eu não posso queimá-los pq tinham poucas pessoas e saberão que me falaram, se isso chegar no G. Então temos que ter cuidado de como conduzir com o G depois”.
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Segundo a PF, as mensagens indicam que Vorcaro buscava informações sobre o andamento de investigações e também recorria ao interlocutor para tentar obter ajuda diante de medidas que poderiam atingir o Banco Master. Em outro momento, ele perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” e também questionou: “Conseguimos fazer algo?”.
O relatório policial também menciona encontros entre Moraes e Vorcaro, além de um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo a PF, registros digitais indicariam que Moraes participou da análise de versões da minuta do contrato. O escritório afirmou que ele foi consultado para verificar possíveis impedimentos jurídicos à contratação.
Moraes nega irregularidades ou qualquer trabalho para Vorcaro e contestou as conclusões do relatório da Polícia Federal. A defesa do ministro questionou a metodologia utilizada para relacionar anotações encontradas no celular do banqueiro a possíveis conversas pelo WhatsApp. Além disso, os documentos divulgados não demonstram que os pedidos feitos tenham sido atendidos.


