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Cristiano Ronaldo é suspenso pela Federação Portuguesa após deixar seleção

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Cristiano Ronaldo em partida pela seleção de Portugal antes da suspensão preventiva imposta pela FPF (Foto: Instagram)

Cristiano Ronaldo foi suspenso neste sábado (10/10) pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) após abandonar a concentração da seleção portuguesa. O famoso camisa 7 deixou o time antes do confronto com a Dinamarca, na segunda rodada da Nations League, devido a desentendimentos com o técnico Jorge Jesus.

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O processo disciplinar foi considerado urgente pela FPF, que decretou a suspensão preventiva de Cristiano Ronaldo. A punição definitiva pode variar de um a seis meses de suspensão.

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CONFIRA O COMUNICADO DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL
“Instauração de processo disciplinar a Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, por deliberação da Secção Não Profissional, de 09 de outubro de 2026, com o objetivo de apurar a relevância disciplinar dos fatos relatados em 07 de outubro de 2026.

Sem prejuízo da suspensão preventiva automática a que esteve sujeito até a data da instauração, foi determinada a suspensão preventiva não automática do jogador, atribuindo urgência ao processo.

O processo foi enviado, no dia 10 de outubro de 2026, à Comissão de Instrução Disciplinar da FPF, permanecendo em sigilo até o término da instrução.

Cidade do Futebol, 10 de outubro de 2026.

A Secção Não Profissional do Conselho de Disciplina da FPF.”

A BRIGA E OS MOTIVOS
Cristiano Ronaldo se pronunciou no último dia da Data Fifa, em 6 de outubro, dois dias após o último jogo de Portugal. Em um longo texto, o jogador de 41 anos expressou sua insatisfação por não ter participado da vitória por 2 x 1 contra a Noruega, após lhe prometerem 30 minutos em campo. Ele aqueceu durante boa parte do segundo tempo.

A coletiva de imprensa de Jorge Jesus após o ocorrido foi o fator decisivo para que CR7 deixasse o elenco de Portugal. Ele esperava uma postura diferente do treinador.

No mesmo texto, Cristiano também menciona que seu caso (sobre ter abandonado a seleção) merecia avaliação e punição por parte da FPF. Ele ainda pediu desculpas aos companheiros e torcedores de Portugal.

VEJA O TEXTO DE CRISTIANO RONALDO NA ÍNTEGRA
“Como prometi, decidi relatar, em primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional.

Após o Mundial 2026, preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que quero dirigir a eles quando deixar, definitivamente, nossa equipe.

No final da competição, logo no voo de retorno dos Estados Unidos, o Presidente da Federação pediu e insistiu para que eu reconsiderasse a decisão de sair, pois a FPF queria que eu continuasse.

Em seguida, pediu minha opinião sobre o nome do atual Selecionador, que ele estava considerando, junto a outros nomes que não revelou.

Respondi ao Presidente da Federação que, na minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado, fiquei genuinamente feliz pela escolha. Era a opção certa, como os resultados vão comprovando.

Poucos dias depois, recebi um primeiro contato do novo selecionador nacional, que expressou o desejo de me encontrar pessoalmente. Concordei e agendamos para o final das minhas férias.

Nos encontramos na Cidade do Futebol, onde meu clube fazia pré-temporada.

O Selecionador me disse naquele dia que contava comigo e que minha presença era fundamental para seu projeto. Apresentou um plano para minha participação, dizendo que jogaria o primeiro e o último jogo, e que, por razões de gestão física, faria sempre três a quatro mudanças por jogo.

Naquela ocasião, ele me propôs a possibilidade de não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca, sugerindo que eu jogasse o primeiro jogo e permanecesse em Portugal, para depois me juntar novamente antes do jogo do Dragão.

Recusei imediatamente essa proposta. Parecia-me evidente que não poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no exterior que deixaria de capitanear nossa equipe. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo.

O Selecionador acabou por concordar com minha análise.

Essa conversa foi acompanhada por Simão Coutinho, diretor Desportivo do Al Nassr, pessoa a quem o atual selecionador reportava durante toda a temporada passada e um dos responsáveis por sua contratação pelo clube em 2025.

Na véspera do início do estágio, o Selecionador foi até minha casa, em Lisboa, para uma nova conversa, a seu pedido. A conversa foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos. Joguei o jogo de Alvalade e, apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Coloquei a braçadeira eu mesmo no Bruno Fernandes, sem imaginar que poderia estar dando meus últimos passos como atleta e capitão da Seleção Nacional. O importante daquele dia, para mim, foi nossa vitória. Ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor.

Na hora do almoço do dia do jogo na Noruega, um assistente do selecionador veio à mesa onde o grupo estava almoçando e me informou que o Selecionador queria falar comigo. Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou se eu estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com meus companheiros como sempre, e pensando que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema.

Esse pedido estava fora do meu plano de recuperação física e de treino – pois apenas jogaria no dia 4 no Dragão – mas obviamente disse que sim. Ele me respondeu que então eu deveria estar preparado, pois jogaria 30 minutos.

O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos passarem e não fui chamado. O Selecionador não cumpriu sua palavra.

No fim do jogo, só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Um erro que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa àqueles que, sem serem portugueses, podem ter se deslocado para me ver e a quem possa ter desapontado.

Passadas 48 horas, tivemos uma conversa, eu, o Selecionador e Simão Coutinho, já que foi ele quem acompanhou nossas conversas de agosto.

Foi um momento profundo, muito direto, sem qualquer tipo de filtro.

Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este “caso”: que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença de Simão Coutinho, mas na Sala de Imprensa.

O que foi combinado era simples: o Selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos, que foi o Selecionador, e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio, e que foi um erro me colocar a aquecer para não entrar, e que, se voltasse a acontecer, não faria.

Terminamos essa reunião com o Selecionador me pedindo um abraço, prometendo que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer e que o assunto se resolveria. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão. Tudo isso na presença de Simão Coutinho, sempre.

A pedido do selecionador, ocorreu depois uma reunião entre ele mesmo, Simão Coutinho e Tiago Craveiro por videoconferência, onde se resumiu o que falamos.

Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com meu conhecimento, foi entregue ao Selecionador, conforme solicitado.

A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que acredito não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera.

As notas que validei eram as seguintes: ‘Acho importante, até porque é a verdade, esclarecer algumas coisas antes de falar da Dinamarca:

  1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, nesta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.

  2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos.

  3. O plano que propus ao Cristiano foi aceito.

  4. Ele nunca questionou minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.

  5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele havia conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de utilizá-lo. O Cristiano concordou.

  6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje, não o faria.

  7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás, não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também.

  8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falamos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes, reagimos. Foi só isso.’

Nenhuma dessas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.

Era a segunda vez que me estava a faltar à palavra dada.

Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim, a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade.

Aliás, numa conversa que mantive com o Presidente da FPF e com o Selecionador na manhã do dia dessa conferência de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se não me quisessem ali, que me dissessem. Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado.

Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional.

Nunca, em nenhum momento, me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e, quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali.

Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como pode testemunhar quem assistiu a essas conversas, eu não deveria ter feito isso. A responsabilidade é exclusivamente minha.

Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí.

A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipe e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como eu sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.

A esse respeito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federação me quer dar essa oportunidade.

Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém. Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso.

Mas quando penso na seleção, o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai. Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz isso pelo País o que jamais faria por clube algum.

Portanto, se estiver bem fisicamente, jogando no meu clube, com gols, espero, após o cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção.

Esta é, acreditem, a mais pura das verdades.

Cristiano Ronaldo

6 de Outubro de 2026”.

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