A Polícia Federal investiga a suspeita de que o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tenha financiado uma rede de prostituição para obter vantagens e favores de autoridades brasileiras. Segundo informações sobre a apuração, ao menos R$ 4,3 milhões teriam sido movimentados em despesas relacionadas à contratação de mulheres, à organização de eventos particulares e à atuação de intermediários.
A investigação busca esclarecer se os encontros frequentados por convidados do empresário e agentes públicos faziam parte de uma estrutura organizada para facilitar o acesso a autoridades. Entre os elementos examinados estão conversas atribuídas a Vorcaro e a pessoas responsáveis pela contratação das mulheres.
Mensagens registradas entre 2023 e 2025 indicariam que o empresário participava da escolha das participantes, autorizava pagamentos e interferia na composição do grupo. A rede investigada teria recrutado dezenas de brasileiras e estrangeiras, com a participação de uma agência de modelos e de intermediários encarregados da organização dos encontros.
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Parte das conversas também contém expressões depreciativas usadas pelos envolvidos para se referir às mulheres. Nos diálogos, elas teriam sido chamadas de “escravas”, enquanto o termo “creche” teria sido empregado para se referir a jovens.
Uma das mensagens, datada de novembro de 2023, envolve o organizador de eventos Diogo Batista e a chegada de uma mulher ucraniana. Segundo o material descrito na investigação, Vorcaro teria mencionado a situação no Leste Europeu e solicitado a presença de refugiadas. Batista, por sua vez, teria informado que havia três mulheres nessa condição.
Outro ponto examinado pela Polícia Federal envolve gravações de áudio que, segundo o relato sobre a apuração, mostram o controle exercido sobre uma mulher russa que estava no Brasil sem visto regular. O material indicaria que ela precisava de autorização até mesmo para ir ao banheiro.
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Os investigadores também procuram identificar eventuais agentes públicos que participaram dos encontros e verificar a origem e o destino dos recursos utilizados. Para isso, analisam registros bancários, contratos relacionados aos eventos e materiais apreendidos durante a investigação.
Até o momento, as informações apresentadas não permitem concluir que os suspeitos tenham cometido os crimes investigados nem que autoridades tenham recebido vantagens indevidas.


