O Brasil contabilizou seis óbitos por pancreatite em pacientes que usaram canetas emagrecedoras entre 2020 e 2025, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No mesmo período, mais de 200 notificações suspeitas de pancreatite foram registradas, e a Anvisa levantou a possibilidade de envolvimento de produto falsificado nesse cenário. Essas informações alertam para a necessidade de acompanhamento médico rigoroso durante o uso desses medicamentos no tratamento da obesidade.
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O risco de desenvolver pancreatite está descrito na bula dos remédios conhecidos como canetas emagrecedoras. Reportagens do O Globo destacam que as suspeitas envolvem principalmente princípios ativos como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, substâncias da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses compostos agem no controle do apetite e do metabolismo da glicose, mas também podem causar efeitos adversos severos, entre eles a inflamação aguda do pâncreas.
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Todos os casos relatados foram inseridos no VigiMed, sistema oficial de notificação de eventos adversos mantido pela Anvisa. Por meio dessa plataforma, profissionais de saúde comunicam ocorrências relacionadas a medicamentos e dispositivos. A agência ressalta, porém, que as notificações são suspeitas e ainda não há comprovação definitiva de que todos esses incidentes tenham sido desencadeados pelas canetas emagrecedoras.
As notificações registradas no VigiMed apontam que os episódios de pancreatite ocorreram em pacientes de diferentes unidades da federação: São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. Além das substâncias já mencionadas, os casos foram relacionados a produtos comercializados sob as marcas Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy, amplamente prescritos no controle de peso e no tratamento de diabetes tipo 2.
Apesar das informações disponíveis, a Anvisa alerta que não é possível afirmar com certeza que todos os registros estejam vinculados às marcas originais, pois há relatos de aplicação de canetas falsificadas, irregulares ou manipuladas, apresentadas como similares aos medicamentos de referência. A circulação de produtos fora das normas sanitárias pode comprometer a qualidade, a eficácia e a segurança do tratamento.
A Anvisa informou que os casos seguem em investigação e reforçou que a restrição de venda mediante retenção de receita médica, implementada em abril de 2025, visa ampliar o controle clínico dos pacientes. “Até o momento, a venda do medicamento com receita médica se mostra uma medida de controle adequada. Porém, outras medidas podem ser tomadas caso a Anvisa identifique outros riscos”, afirmou o órgão, destacando a importância da avaliação criteriosa por um profissional de saúde antes do início do uso.


