O ex-atacante belga Eden Hazard afirmou que o grande volume de cobranças sofridas por Vinícius Júnior, dentro e fora dos gramados, pode influenciar diretamente na longevidade da carreira do atacante. Em entrevista à emissora belga RTBF, Hazard analisou o contexto vivido pelo camisa 7 do Real Madrid no futebol europeu, marcado por críticas constantes da imprensa, cobranças de torcedores e episódios de racismo que circulam em redes sociais e estádios.
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Hazard, que atuou ao lado de Vinícius Júnior no Real Madrid durante quatro temporadas e disputou 27 partidas junto ao brasileiro, confessou acompanhar com preocupação a rotina do atleta antes mesmo do início de cada confronto. No campeonato espanhol, vestir a camisa 7 de um clube de tradição e visibilidade mundial, como o Real Madrid, envolve uma carga extra de responsabilidade, já que o jogador passa a representar não apenas o time, mas também a luta contra desigualdades e preconceitos.
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O ex-jogador destacou que o brasileiro carrega uma carga mental pesada antes de entrar em campo. “Ele tem tantas coisas na cabeça antes de uma partida que, às vezes, penso: ‘coitado’. Ele sabe que vai passar por tudo isso e que quase nada acontece em termos de sanções. Deve ser um fardo”, afirmou Hazard, ressaltando a necessidade de questões disciplinares mais rígidas e o apoio psicológico adequado aos atletas.
Nos últimos anos, Vinícius Júnior tem sido alvo de diferentes episódios de racismo no futebol europeu, o que remete ao histórico de casos discriminatórios que ainda resistem nas competições do Velho Continente. Em um episódio recente, durante uma partida válida pela UEFA Champions League em fevereiro, o atacante acusou o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de ter proferido um termo racista contra ele. A UEFA, órgão máximo do torneio, possui regulamentos que preveem punições, mas a aplicação efetiva dessas medidas e a rapidez nas investigações costumam ser alvos de críticas na comunidade esportiva.
Na mesma entrevista, Hazard mencionou a hipótese de que o acúmulo dessas situações possa levar Vinícius Júnior a cogitar a aposentadoria antes dos padrões habituais para jogadores de alto nível. “Não me surpreenderia se, aos 30 anos, ele dissesse que vai se aposentar, que vai abandonar o futebol, porque, de qualquer forma, nada muda”, ponderou o belga. Essa declaração reforça o debate sobre o impacto das tensões raciais e midiáticas na saúde mental de atletas profissionais.
Apesar do curto período em que estiveram juntos no Real Madrid, Eden Hazard elogiou a força psicológica de Vinícius Júnior diante das adversidades. Para o ex-atacante, a capacidade de preservar o prazer de jogar é essencial para manter o desempenho em alto nível. “Ele é simplesmente alguém que adora futebol e só quer se divertir. Um pouco como eu quando estava em campo. As pessoas falam mais sobre o que ele faz ou o que ele sofre do que sobre o que ele contribui em campo. As pessoas se esquecem do jogador excepcional que ele é. Isso deve pesar sobre ele. Não deve ser fácil entrar em campo para jogar uma partida e pensar apenas em futebol”, declarou Hazard, lembrando que o suporte da equipe técnica e dos companheiros é fundamental para enfrentar pressões externas.
Para concluir sua análise, Eden Hazard traçou um paralelo entre a forma de celebrar o jogo de Vinícius Júnior e a espontaneidade de grandes nomes do futebol brasileiro, como Ronaldinho Gaúcho. “Quando você dança, dance de um jeito que faça as pessoas gostarem de você. Ronaldinho também dançava, e eu não me lembro de ter visto todas essas histórias de críticas racistas. Ainda assim, é preciso reconhecer que o contexto mudou, e dar atenção ao bem-estar do jogador é essencial para preservar seu talento e seu amor pelo esporte”, finalizou o belga.



