O debate em torno do calendário do futebol brasileiro ganhou mais um episódio neste sábado (23/5), quando Flamengo e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tornaram pública a discordância entre as partes. Após o pedido do Rubro-Negro para adiar a 18ª rodada do Campeonato Brasileiro ter sido negado pela federação, ambas as instituições divulgaram comunicados oficiais sobre o assunto.
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Pela manhã, o clube do Rio de Janeiro citou “isonomia” e “paridade de forças” ao defender a manutenção da data do confronto com o Coritiba, previsto para 30 de maio. Na ocasião, a equipe estará desfalcada por atletas chamados para a Copa do Mundo. Além dos brasileiros já confirmados — Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Lucas Paquetá — o time ainda pode perder Plata (Equador), Carrascal (Colômbia) e o trio Varela, De la Cruz e Arrascaeta (Uruguai).
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“Quando equipes são obrigadas a atuar sem seus principais jogadores por conta de convocações, quem mais perde é o torcedor. Tanto aquele que compra ingresso quanto o que assiste pela TV. A qualidade do espetáculo cai, a integridade da competição é prejudicada e o produto se desvaloriza. Além disso, cria-se uma situação em que justamente as equipes que mais investem são as mais prejudicadas”, acrescentou o Flamengo.
O clube sugeriu a transferência da partida para o dia 4/8/26, data reservada para a Copa do Brasil, lembrando que ambas as equipes já foram eliminadas do torneio. “Quem entrar em campo vai se esforçar ao máximo para proporcionar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube”, concluiu a nota.
A CBF, por sua vez, reforçou que não irá adiar o jogo. Segundo a entidade, o possível conflito de datas entre o Brasileirão e a preparação para a Copa do Mundo era de conhecimento de todos os clubes desde maio de 2025: “A CBF não impõe calendário aos clubes: ela executa aquele que foi construído e aprovado em conjunto com as agremiações. Em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada”.
“A solicitação surgiu apenas após a eliminação do Flamengo da Copa do Brasil, quando o clube passou a sugerir a remarcação do duelo Flamengo x Coritiba para uma data reservada à Copa do Brasil no segundo semestre. O pedido foi rejeitado, pois atenderia somente ao interesse de um clube afetado pelas convocações: o próprio Flamengo”, continuou a federação.
Ainda de acordo com a CBF, adiar o jogo seria dar um tratamento diferenciado ao clube carioca, principalmente porque o mesmo tipo de solicitação poderia não ser concedido a outras equipes: “Diversos clubes foram impactados pelas convocações para a Copa do Mundo e qualquer solução criada para atender apenas um caso isolado representaria uma violação direta ao princípio da isonomia desportiva que orienta a atual gestão da CBF”.
As notas oficiais
Flamengo:
“Na esteira do mais recente impasse do Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª rodada das equipes que tiveram um número expressivo de atletas convocados para a Copa do Mundo FIFA, é necessário refletir: onde estamos errando e como vamos resolver esses problemas?
Neste caso, o erro é evidente. Em uma competição de pontos corridos, onde todas as rodadas têm o mesmo peso para a definição do campeão, não existe isonomia nem paridade de forças quando um time é obrigado a jogar sem vários de seus jogadores, como ocorre com Flamengo e Palmeiras, simplesmente porque esses atletas foram cedidos às seleções nacionais (quatro para o Brasil).
É importante reconhecer os avanços da gestão atual da Confederação Brasileira de Futebol, que buscou otimizar e ajustar o calendário para corrigir problemas antigos, assim como a relevância da Copa do Mundo para a CBF e para o país. Porém, é justamente aí que está o dilema. Quando a mesma entidade é responsável tanto pela Seleção Brasileira quanto pelo principal campeonato nacional, alguém sai prejudicado nesse conflito de interesses. Nesse caso, mais uma vez, os maiores prejudicados são os clubes. Um contraste é a UEFA, que defendeu seus filiados, sua competição e conseguiu, junto à FIFA, a liberação para que a final da Liga dos Campeões da Europa tivesse seus principais jogadores em campo.
Quando times são obrigados a jogar sem suas principais peças por conta de convocações, quem sofre, acima de tudo, é o torcedor. Tanto o que paga ingresso quanto o que acompanha pela transmissão. A qualidade do espetáculo é comprometida, a integridade competitiva é afetada e o produto perde valor, além de criar uma lógica inversa: as equipes que mais investem acabam sendo as mais penalizadas.
No passado, a CBF tentou amenizar esse problema recorrente com soluções paliativas, como a regra que impedia uma equipe de atuar caso cinco de seus jogadores fossem chamados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão para durante as Datas FIFA, mas retorna apenas dois dias depois. O Flamengo já precisou fretar aviões para trazer atletas que jogaram numa terça-feira à noite em outro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.
Essas medidas paliativas já não correspondem à realidade do futebol brasileiro. Enquanto os clubes investem cada vez mais, equipes conseguem repatriar jogadores ainda em alto nível, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de ponta e investir mais em Centros de Treinamento e infraestrutura. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão das competições precisa acompanhar essa evolução.
É urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente dessa construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelos clubes. Não existem soluções simples para problemas complexos, mas o futuro exige uma mudança de rota: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a ótica dos clubes, de seus atletas, torcedores, investidores e visando o fortalecimento do próprio produto.
Recordista de público como mandante e com ingressos esgotados no setor visitante em todos os jogos fora de casa até aqui, o Clube de Regatas do Flamengo e sua torcida levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É justamente por isso que o clube lamenta ser obrigado a entrar em campo desfalcado por convocações para a Copa do Mundo, mesmo que as eliminações precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução para jogar em 4/8/26, sem conflito com a Copa do Brasil. Quem estiver em campo vai se empenhar para entregar um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de torcedores apaixonados pelo clube”.
CBF:
Em relação à nota pública do Flamengo divulgada hoje, na qual o clube questiona a manutenção da data dos jogos da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) esclarece o que segue:
1. A data de liberação obrigatória dos jogadores para a Copa do Mundo de 2026 foi determinada pela FIFA ainda em maio de 2025, e essa informação foi reiterada em diferentes documentos e comunicados oficiais.
2. O calendário do futebol brasileiro de 2026 foi apresentado, discutido e aprovado por unanimidade por todos os clubes da Série A em dezembro de 2025. As datas das rodadas, incluindo a 18ª, assim como o período de paralisação para a Copa do Mundo FIFA 2026, foram amplamente debatidas no Conselho Técnico da competição, com participação de todos os clubes. A CBF não impõe calendário aos clubes: ela executa aquele que foi elaborado e validado em conjunto com as agremiações.
3. Em nenhum desses momentos, o Flamengo sugeriu o adiamento ou alteração da 18ª rodada. Isso aconteceu apenas após a eliminação do Flamengo da Copa do Brasil, quando o clube passou a sugerir remarcar o jogo Flamengo x Coritiba para uma data reservada à Copa do Brasil no segundo semestre. Esse pedido foi negado, pois atenderia apenas ao interesse de um clube afetado pelas convocações: o próprio Flamengo.
4. A gestão atual da CBF não acredita nem apoiará qualquer tipo de tratamento privilegiado no âmbito esportivo, independentemente do tamanho da torcida ou do poder econômico. Diversos clubes foram afetados pelas convocações para a Copa do Mundo e qualquer solução criada para beneficiar apenas um caso isolado representaria uma violação direta ao princípio da isonomia desportiva que norteia a atual gestão da CBF.
5. O calendário do futebol brasileiro de 2026 apresentou avanços claros, como a redução dos Campeonatos Estaduais e o início do Campeonato Brasileiro em janeiro. A CBF reafirma seu



