A decisão da Justiça que condenou o ex-vereador Dr. Jairinho pela morte de Henry Borel e concedeu perdão judicial à mãe do menino, Monique Medeiros, gerou forte reação de Leniel Borel. Em um comunicado enviado ao portal LeoDias e divulgado nas redes sociais, após o término do julgamento na madrugada desta quinta-feira (4/6), o pai de Henry declarou sentir que seu filho foi “morto pela terceira vez”. Ele também classificou como revoltante e preocupante a decisão que beneficiou Monique.
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O Tribunal do Júri considerou Jairinho culpado pelo assassinato de Henry, ocorrido em março de 2021, e o sentenciou a mais de 43 anos de prisão. Monique, por sua vez, foi reconhecida pelos jurados por sua omissão diante das agressões sofridas pelo filho, mas recebeu perdão judicial e não precisará cumprir pena. Essa decisão causou indignação em Leniel, que questionou como alguém que deveria proteger a criança pode sair sem nenhuma punição.
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Em seu desabafo, o pai de Henry disse que a dor da família foi agravada não só pelo crime, mas também pelos anos de espera até o julgamento. Segundo ele, os recursos e adiamentos sucessivos fizeram com que parentes e amigos revivessem várias vezes o sofrimento pela morte da criança.
Para Leniel, a decisão desta semana não afeta apenas sua família, mas também provoca um debate sobre a responsabilidade de adultos que não protegem crianças em situações de violência. “E a mensagem que milhares de pais e mães estão tentando entender é: qual é o limite da responsabilidade de quem tinha o dever de proteger uma criança?”, afirmou.
Leniel ressaltou ainda que o caso de Henry se tornou símbolo da luta contra a violência infantil no Brasil e declarou que seguirá defendendo a memória do filho e cobrando justiça para outras vítimas.
Meses antes do julgamento, em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, Leniel já havia demonstrado expectativa pela condenação dos acusados. Na ocasião, disse que lutava há mais tempo por justiça do que teve ao lado do próprio filho e criticou o que considerava manobras que atrasaram o andamento do processo.
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos quatro anos, depois de ser levado desacordado a um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. As investigações apontaram múltiplas lesões no corpo da criança e concluíram que ele foi vítima de agressões. O caso ganhou grande repercussão nacional e motivou a criação da Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
Leia a manifestação completa de Leniel Borel:
“Mataram meu filho pela terceira vez. A primeira foi em 8 de março de 2021, quando Henry Borel foi brutalmente assassinado. A segunda ocorreu quando sucessivas manobras e adiamentos fizeram com que a Justiça levasse anos para julgar os responsáveis, obrigando uma família inteira a reviver a dor várias vezes. E hoje, sinto que mataram meu filho pela terceira vez.
Recebo com profunda revolta e indignação a decisão que concedeu perdão judicial à mãe de Henry. Respeito as instituições e a Justiça, mas respeito não é sinônimo de silêncio. Como pai, jamais conseguirei entender como alguém que estava presente, acordada, no mesmo apartamento, na mesma noite, diante do mesmo contexto de violência, pode sair sem nenhuma pena enquanto uma criança termina morta.
Meu sentimento hoje não é apenas de tristeza, é de preocupação, porque esta decisão ultrapassa os limites da história do meu filho. Ela envia uma mensagem para toda a sociedade. E a mensagem que milhares de pais e mães estão tentando entender é: qual é o limite da responsabilidade de quem tinha o dever de proteger uma criança? Este caso já não pertence apenas a Henry. Pertence às milhares de crianças que sofrem violência todos os dias dentro de suas próprias casas. Pertence às vítimas que não têm voz. Pertence às famílias que esperam da Justiça uma resposta firme diante da violência infantil.
Nos últimos anos, ouvi inúmeras vezes que Henry não poderia ser esquecido. Hoje repito: não podemos esquecer o motivo de estarmos aqui. Estamos aqui porque uma criança morreu. Uma criança de quatro anos. Uma criança que deveria estar brincando, estudando, crescendo e realizando sonhos. Hoje, mais do que nunca, precisamos refletir sobre qual mensagem estamos transmitindo às crianças do Brasil.
Não vou me calar. Não por mim. Não por vingança. Mas por justiça. Por Henry. Por toda criança que sofre violência atrás de portas fechadas. Por toda criança que espera que os adultos cumpram seu dever de proteger. Por toda criança que ainda pode ser salva.
Peço que não se lembrem apenas da forma como meu filho morreu. Lembrem-se do Henry sorrindo. Do Henry brincando. Do Henry feliz. Esse é o Henry que carrego no coração todos os dias. E é por ele que continuarei lutando. Até o último dia da minha vida”.



