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Condenação de Dr Jairinho e perdão a Monique Medeiros no caso Henry Borel repercutem no Brasil

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A condenação de Jairo Souza, o Dr Jairinho, e o perdão judicial concedido a Monique Medeiros no caso envolvendo a morte do menino Henry Borel têm gerado grande repercussão em todo o país.

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Após dez dias de julgamento, dezenas de testemunhas ouvidas e mais de dez horas de debates entre acusação e defesa, o júri foi marcado por depoimentos e alegações que reacenderam discussões sobre um dos crimes de maior destaque no Brasil.

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No tribunal, Monique Medeiros e Jairinho deram depoimentos diante dos jurados. Peritos, promotores e advogados também protagonizaram momentos de tensão ao defender suas versões sobre a morte do menino de quatro anos, ocorrida em março de 2021. O portal LeoDias reuniu algumas das declarações mais marcantes do julgamento, acompanhado pela repórter Patrícia Teixeira.

“Hoje eu acredito que foi ele”

Uma das falas de maior repercussão foi de Monique Medeiros. Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro sobre quem acreditava ser o responsável pela morte de Henry, a mãe afirmou que mudou de opinião ao longo dos anos.

“Antes eu não acreditava, mas hoje eu creio que foi ele. Pelo modus operandi dele, pelos relatos envolvendo filhos de ex-namoradas, acredito que possa ter sido ele”, declarou. A fala representou uma mudança em relação à postura de Monique durante boa parte da investigação.

“Ele pulou o muro da casa dos meus pais e me acordou me enforcando”

Durante o interrogatório, Monique também relatou episódios de ciúmes e controle que, segundo ela, ocorreram durante o relacionamento com Jairinho.

“Ele pulou o muro da casa dos meus pais e me acordou me enforcando. Jogou o telefone na minha cara porque tinha visto mensagens minhas com o Leniel”, afirmou a ré, que, na época, não interpretou o comportamento do então companheiro como violência.

“Eu não identificava aquele ciúme como violência”

Ao recordar o namoro com Jairinho, Monique disse que acreditava estar diante de demonstrações de amor e zelo.

“Eu não identificava aquele ciúme como violência. Não achava que aquilo pudesse ser um alerta para uma possível violência contra o meu filho. Ele me dopava”, contou. Essa declaração foi explorada pela acusação durante os debates.

“Uma mãe não mata seu próprio filho”

Monique também falou sobre sua rotina na prisão, afirmando que convive com mulheres que já mataram crianças, mas não seus próprios filhos.

“Estou há dois anos e oito meses em uma prisão, em um local chamado ‘seguro’. Lá, não tem nenhuma mãe que matou seu filho. Lá, tem mães que mataram os filhos dos outros. Uma mãe não mata seu próprio filho. Se eu estivesse aqui respondendo por alguma coisa, seria pelo homicídio do Jairo ou enterrada ao lado do Henry”, disse.

“Não entendo o motivo de meu filho ter sido morto nessa banalidade que foi”

Quando questionada sobre a veracidade de suas declarações, Monique afirmou que não mentiu no julgamento e pediu justiça: “Estou sendo honesta em tudo que estou relatando. Só quero entender como tudo aconteceu, porque aconteceu com meu filho. Não entendo o motivo de meu filho ter sido morto nessa banalidade que foi”.

“Pedi perdão ao Leniel”

Ao mencionar uma carta destinada a Leniel Borel, pai de Henry e ex-marido de Monique, ela pediu desculpas pelo que ocorreu com o menino. “Pedi perdão ao Leniel. Tinha arrependimento pelo relacionamento com Jairo. Se tivesse percebido algum sinal, se tivesse tempo, meu filho poderia estar vivo”, desabafou.

“Se pudesse, teria deixado a política e me dedicado à medicina”

No depoimento, Jairinho tentou mostrar aos jurados um retrato de sua vida familiar e profissional antes do caso. Ele afirmou ter se arrependido de várias escolhas, entre elas ter seguido carreira política ao invés de medicina: “Se pudesse, teria deixado a carreira política de lado e me dedicado à medicina”.

“Tudo especulação”

O ex-vereador também ressaltou sua relação com filhos e familiares, tentando demonstrar comportamento carinhoso e preocupado. “Nunca tive problema com ex-namoradas, casos de agressão, estupro. O que vem acontecendo, tudo que falaram de mim, com quase 50 anos de idade, é tudo especulação”, afirmou.

“Fiz escolhas insensatas”

Ao ser questionado sobre relatos de ex-companheiras, Jairinho admitiu traições, mas negou qualquer histórico de agressão: “A gente faz escolhas insensatas, e algumas dessas escolhas foram as traições”.

“Esse processo é tão fora da curva”

Jairinho também criticou a investigação feita nos últimos anos e alegou que a defesa teve acesso a novos elementos recentemente. “Esse processo é tão fora da curva que, a cada mês que passa, temos acesso a novas provas. Tivemos acesso a provas em janeiro deste ano que mudam completamente as coisas que estão acontecendo”, afirmou.

“A cegueira dela não se explica”

Nos debates finais, o promotor Fábio Vieira fez um discurso contundente ao questionar a postura de Monique diante dos sinais de violência apontados pela acusação. “Ela tinha independência financeira, tinha rede de apoio familiar. A cegueira dela não se explica”, analisou.

Segundo o Ministério Público, Monique ignorou comportamentos considerados incompatíveis com um ambiente seguro para Henry.

“Tudo indica que Jairo é um psicopata severo”

Em um dos momentos mais fortes da acusação, o promotor fez críticas ao perfil de Jairinho apresentado no julgamento. “Tudo indica que ele é um psicopata severo. E Monique tem, sim, traços de narcisismo”, declarou, provocando reação imediata da defesa.

“Que mãe considera isso normal?”

Durante os debates, o Ministério Público questionou a reação de Monique a relatos feitos pela babá de Henry. “Ela não desconfiou quando a babá contou que Jairinho havia se trancado no quarto da criança? Que mãe considera isso normal?”, questionou.

A acusação afirmou que a mãe ignorou vários sinais de alerta antes da morte do menino.

“Que mãe vai ao salão de beleza no dia do enterro da própria criança?”

A promotora Audrey Alves também chamou atenção ao criticar o comportamento de Monique nos dias após a morte de Henry.

“Que mãe precisa ser orientada sobre qual roupa vestir para ir à delegacia para demonstrar sofrimento? Que mãe vai ao salão de beleza no dia do enterro da própria criança?”, questionou. A declaração foi uma das mais comentadas na fase final do julgamento.

“Existe um plano de vingança claro”

Na defesa, uma das estratégias principais foi questionar a atuação de Leniel Borel, pai de Henry: “Existe um plano de vingança claro”.

Os advogados defenderam que Leniel teria influenciado os rumos da investigação após a morte do filho, tese que foi rejeitada pela acusação.

“Imaginem se todo homem traído resolvesse montar um escritório particular de vingança”

Em outro momento dos debates, a defesa voltou a criticar a participação de Leniel na coleta de informações e no contato com testemunhas.

“Imaginem se todo homem traído resolvesse montar um escritório particular de vingança”, destacou. Essa fala encerrou uma das sustentações mais polêmicas apresentadas durante o júri.

*Reportagem em colaboração com a jornalista Patrícia Teixeira

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