
Príncipe Ali acusa Infantino de chantagem (Foto: Instagram)
O presidente da Federação de Futebol da Jordânia, príncipe Ali Bin Al Hussein, acusou a Fifa de chantagem. Segundo ele, ao buscar auxílio para a participação da equipe na Copa do Mundo, foi informado por alguém ligado à entidade que "haveria um grande caminho" se apoiasse Gianni Infantino.
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Al Hussein também criticou a Fifa por sua inação em relação aos impostos sobre os prêmios da equipe na Copa do Mundo e à falta de vistos para torcedores jordanianos. Ele afirmou que não apoia Infantino em uma possível reeleição.
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“A Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos. Até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, haveria um grande caminho para ajudar nossa federação”, disse Al Hussein.
“Temos orgulho de, na Jordânia, defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso“, declarou o dirigente jordaniano.
A Fifa foi procurada, mas não respondeu sobre as acusações.
CRISE NA FIFA
Gianni Infantino enfrenta pressão. Após federações europeias retirarem apoio à sua reeleição, membros da Concacaf ameaçaram abandonar o dirigente.
Conforme o The Guardian, uma reunião emergencial da Concacaf discutiu o tema e várias federações manifestaram intenção de retirar apoio a Infantino.
A insatisfação surgiu após Infantino encerrar o projeto de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), que visava arrecadar até US$ 4,2 bilhões (R$ 22,8 bilhões) vendendo 20% a investidores externos.
Além da Concacaf, a Federação Inglesa de Futebol e a Associação de Futebol do País de Gales também retiraram apoio ao presidente da Fifa.
A resistência das federações a Infantino gerou uma crise política sem precedentes desde que ele assumiu o cargo em 2016.
CONFIRA A DECLARAÇÃO DO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DA JORDÂNIA:
“Não há poucos problemas em relação à Fifa. Deixe-me começar esclarecendo alguns pontos de vista de uma federação nacional, em particular o da Jordânia, indo para uma Copa do Mundo pela primeira vez. Somos um pequeno país com um orçamento mínimo para nossa federação e tivemos que lidar com obstáculos enormes. Primeiro, levar nossos torcedores aos Estados Unidos: nem todos receberam vistos, mesmo tendo ingressos – que também sabemos que foram vendidos a preços exorbitantes. Em segundo lugar, estamos sendo taxados pelo governo dos EUA, através da Fifa, pela nossa participação. Dinheiro que deveria ir para jogadores e funcionários. Não foi o caso daqueles que jogaram e ficaram instalados no Canadá e no México. Mas nós estávamos nos EUA, então agora enfrentamos esses custos enormes em impostos por termos participado. Em terceiro lugar, estamos esperando o dinheiro de premiação para nossos jogadores desde dezembro pela Copa Árabe no Catar, que é um evento da Fifa. O dinheiro que nossa equipe deveria receber por ter chegado à final ainda não foi enviado, enquanto, ao mesmo tempo, a Fifa se gaba de quantos bilhões eles têm em reserva. Fica claro que o problema realmente está na liderança. Por meses, a Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos. Até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, haveria um grande caminho para ajudar nossa federação. Nós temos orgulho de, na Jordânia, defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso.”


