A Uefa decidiu continuar com o boicote às competições organizadas pela Fifa, mesmo depois que o presidente da entidade, Gianni Infantino, retirou a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) e divulgou um pedido oficial de desculpas às federações filiadas. Em contrapartida, a Conmebol adotou uma postura de neutralidade, elogiou a retirada do projeto e defendeu a manutenção da unidade institucional do futebol.
++ Cresce o número de brasileiros usando IA para gerar conteúdo e atrair clientes
Os posicionamentos foram divulgados nesta quinta-feira (6/8), um dia após a reunião realizada por Infantino com membros da alta cúpula da Fifa, em Rabat, no Marrocos. O encontro aconteceu após a repercussão do plano de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo, proposta que acabou sendo arquivada pela entidade.
++ Lei Vini Jr. é aplicada pela primeira vez e jogador é expulso na Copa do Mundo
Na quarta-feira (5/8), a Fifa publicou uma nota assinada por Gianni Infantino e pelo secretário-geral Mattias Grafström. No comunicado, a entidade reconheceu falhas na condução do processo envolvendo a FFE, pediu desculpas às 211 associações nacionais e reafirmou apoio à atual gestão.
Uefa mantém posição:
Apesar da mudança de postura da Fifa, a Uefa declarou que as exigências feitas anteriormente seguem sem resposta e reiterou que continuará com o boicote: “As associações da Uefa foram muito claras quanto às condições associadas à não participação em competições da Fifa”.
A confederação detalhou que, além da retirada da proposta, é necessário haver garantias para impedir que iniciativas semelhantes ocorram novamente: “Em primeiro lugar, as propostas de privatização das principais competições tiveram de ser retiradas e, em segundo lugar, é preciso garantir que tais tentativas de desfigurar o jogo desta forma nunca mais se repitam”.
Na avaliação da Uefa, esse compromisso ainda não foi cumprido: “Essas condições não foram cumpridas”. A entidade também reafirmou o posicionamento já adotado anteriormente em relação à administração de Infantino: “Essa posição permanece inalterada”.
Além de manter o boicote, a confederação informou que fará uma investigação independente para apurar se os valores previstos no projeto estavam abaixo dos praticados pelo mercado, o que poderia indicar possível favorecimento.
Conmebol prega unidade:
Enquanto a Uefa endureceu seu discurso, a Conmebol optou por uma manifestação mais moderada. Em nota, a entidade afirmou que recebeu de forma positiva a decisão da Fifa de retirar a proposta da FFE.
“Diante dos acontecimentos que afetam a família do futebol, o Conselho da Conmebol, reunido nesta data, celebra a decisão da Fifa de retirar a proposta Fifa Forward Enterprise”.
Sem citar Gianni Infantino, a confederação sul-americana também demonstrou preocupação com decisões tomadas sem discussão prévia entre os órgãos do futebol.
A nota registra “preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento desse tipo de situação” e acrescenta que “A Conmebol não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais”.
No final do comunicado, a entidade defendeu que uma solução seja construída por meio do diálogo.
“Um chamado à preservação da unidade da família do futebol, à atuação com responsabilidade institucional, ao fortalecimento do diálogo e ao pleno respeito aos mecanismos de governança”.


