No último sábado (15/8), Pablo Marçal (PRTB) surpreendeu ao protocolar seu registro de candidatura à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, a oficialização trouxe à tona dois grandes obstáculos: uma pendência judicial que o mantém inelegível na prática e uma declaração de bens bilionária.
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O que mais chamou atenção no registro do empresário foi o crescimento de seu patrimônio. Em apenas dois anos, a fortuna declarada por Marçal saltou de R$ 169,5 milhões (informados na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024) para impressionantes R$ 7,418 bilhões.
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Esse aumento expressivo de cerca de 4.276% faz de Marçal, com folga, o candidato mais rico da atual disputa presidencial. O que chama ainda mais atenção é a composição desse valor. Do total bilionário, quase 92% (aproximadamente R$ 6,791 bilhões) estão aplicados em uma única aplicação de renda fixa no banco Itaú.
O restante do patrimônio está distribuído em cotas de empresas, como R$ 80 milhões na Aviation Participações e R$ 19,87 milhões na Marçal Holding, além de um terreno avaliado em R$ 490 milhões em Santana de Parnaíba. É importante destacar que a declaração enviada ao TSE não equivale a uma auditoria financeira, mas sim a um “raio-x” apresentado pelo próprio candidato.
Liminar e candidatura “sub judice”
Além do destaque sobre suas finanças, Marçal enfrenta uma corrida contra o tempo na Justiça. Ele sequer tinha a filiação partidária regularizada dentro do prazo previsto, alegando que problemas no sistema do PRTB impediram o cumprimento da data.
A solução veio nos últimos instantes: uma liminar da Justiça Eleitoral de Santana de Parnaíba (SP) reconheceu sua filiação de forma retroativa ao dia 4 de abril. Com essa decisão provisória, ele conseguiu protocolar o pedido no TSE no último dia permitido.
Por outro lado, o registro está sub judice. Isso significa que ele está formalmente na disputa, mas sua candidatura segue pendente até a decisão final da Corte Eleitoral, podendo ser contestada por adversários.
O fantasma da inelegibilidade
O maior empecilho para Marçal disputar as urnas em 2026, no entanto, vem de seu próprio histórico recente. O candidato acumula condenações da Justiça Eleitoral por irregularidades cometidas nas eleições municipais de 2024. A principal delas determinou sua inelegibilidade por oito anos por abuso de poder econômico e político, uso irregular dos meios de comunicação e captação ilícita de recursos, incluindo a promessa de apoio a candidatos a vereador em troca de doações via Pix de R$ 5 mil.
Uma das punições foi revertida pelo TRE-SP no final de 2025, mas o processo mais grave, que apura impulsionamentos ilegais, sorteios de dinheiro e uso de contas estrangeiras, ainda é um grande obstáculo. Agora, a estratégia da defesa é tentar suspender ou afastar essas restrições jurídicas enquanto o TSE analisa o registro.


