Segundo informações da CNN, um documento registrado em cartório pela empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, relata três contatos que ela afirma ter recebido com propostas ou referências a uma possível delação premiada contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL). O registro, de sete páginas, foi feito em 4 de setembro, em um cartório de São Paulo, e inclui uma menção ao ministro Flávio Dino, embora a própria empresária ressalte não ter elementos para afirmar que ele soubesse ou tivesse participado do contato.
A CNN teve acesso ao documento, no qual Karina afirma ter interesse em colaborar com as investigações por meio de sua defesa técnica. Em seguida, ela descreve os contatos que recebeu para tratar de uma eventual colaboração premiada.
O primeiro contato, segundo o relato registrado pela empresária, teria ocorrido com Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney e dirigente da CBF. Karina afirma que ele a procurou em 20 de maio de 2026 e que a conversa ocorreu dois dias depois, às 9h07.
++ Propaganda eleitoral no rádio e TV segue ultrapassada e sem inovação
De acordo com Karina, Sarney “ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino” e disse que poderia apoiá-la caso ela tivesse interesse em fazer uma delação. A empresária afirma que não demonstrou interesse porque não via motivo para isso.
No próprio documento, Karina faz uma ressalva sobre a referência ao ministro: “Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o Ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato”.
Procurado, Fernando Sarney negou ter conversado com Karina Gama ou tratado de uma eventual delação relacionada ao filme. “Não conheço a Sra. Karina Gama e jamais mantive contato com ela ou com qualquer outra pessoa sobre suposta delação premiada envolvendo a produção audiovisual ‘Dark Horse’”, afirmou.
O segundo contato teria acontecido em 27 de agosto, às 11h22, e, segundo Karina, partiu de um pastor que é seu amigo de longa data. Ela relata que o homem afirmou ter proximidade com integrantes do governo federal e ministros do Supremo Tribunal Federal.
Ainda conforme o documento, o pastor teria dito que pessoas ligadas a essas autoridades haviam pedido que ele transmitisse a Karina a possibilidade de uma delação, apresentada como uma forma de evitar uma “complicação”. “Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma ‘delação premiada’, nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial”, escreveu a empresária.
Karina afirma que agradeceu a preocupação, mas respondeu que a produção do filme havia sido conduzida dentro da legalidade e que não havia cometido crime.
++ Carol Lekker fala sobre saída do SBT e novo desafio na Record cobrindo “A Fazenda 18”
O terceiro contato descrito no documento teria ocorrido em 3 de setembro e seria atribuído a um jornalista da revista Piauí. Segundo Karina, ele já havia perguntado anteriormente sobre uma possível delação e, dessa vez, afirmou que ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”, dando a entender, de acordo com o relato dela, que poderia ser alvo de medidas judiciais caso não colaborasse.
À CNN, a revista Piauí informou que não vai se manifestar.
Ao registrar os relatos, Karina afirmou ter ficado preocupada com “a proximidade temporal e a convergência temática entre esses contatos”. Ela também declarou temer que sua situação jurídica estivesse sendo influenciada por questões políticas. “Tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito”, escreveu.
A empresária explicou que decidiu registrar as informações em cartório para preservar o conteúdo dos relatos e permitir que os fatos sejam posteriormente verificados pelas autoridades. Segundo ela, o documento também serve para registrar que havia sido procurada com uma proposta de delação antes de qualquer eventual medida que pudesse afetar sua liberdade.


