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Vem à tona teoria sobre a morte de ministro do STF que julgou Lava Jato e crimes de Lula

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De acordo com informações da Carta Capital, a morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a queda de um avião no mar de Paraty (RJ), passou a ser relacionada a teorias sobre as circunstâncias do acidente. O magistrado era relator da Operação Lava Jato no Supremo e aguardava a homologação de delações da construtora Odebrecht.

Zavascki morreu em 19 de janeiro de 2017, junto com outras quatro pessoas. O acidente aconteceu próximo à Ilha Rasa, a cerca de dois quilômetros da cabeceira da pista do aeroporto de Paraty. A aeronave, um Beechcraft C90GT com capacidade para oito passageiros, havia decolado do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, e caiu no mar por volta das 13h30, quando chovia em Paraty.

Segundo a Carta Capital, a morte do ministro ocorreu quando era aguardada para os dias seguintes a homologação de diversas delações da Odebrecht. A relatoria da Lava Jato estava sob responsabilidade de Zavascki.

O delegado federal Marcio Adriano Anselmo, uma das principais figuras da força-tarefa da Lava Jato, pediu uma investigação “a fundo” sobre o acidente. Em uma publicação no Facebook, escreveu: “Esse ‘acidente’ deve ser investigado a fundo”. Ele destacou a palavra “acidente” entre aspas e, posteriormente, afirmou à Folha de S.Paulo que o texto havia sido um “desabafo pessoal”.

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A Carta Capital também relembra outros episódios envolvendo autoridades brasileiras que morreram em circunstâncias consideradas não esclarecidas ou duvidosas. Entre os casos citados estão as mortes do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1961, de Ulysses Guimarães, em 1992, do prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002, e do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência Eduardo Campos, em 2014.

Ulysses Guimarães também sofreu um acidente de avião na mesma região onde caiu a aeronave que levava Zavascki. O corpo do ex-presidente da Câmara dos Deputados nunca foi encontrado.

Antes da morte de Zavascki, o ministro havia sido hostilizado por manifestantes contrários ao PT, em março de 2016, depois de contestar uma decisão do juiz federal Sergio Moro. Na ocasião, determinou que uma investigação sobre escutas telefônicas envolvendo a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse enviada ao STF.

Na noite de 22 de março daquele ano, um grupo foi até o prédio onde Zavascki morava, em Porto Alegre, e colocou na fachada uma faixa com a mensagem “Teori traidor”.

Em maio de 2016, Francisco Prehn Zavascki, filho do ministro, publicou no Facebook que sua família estava sofrendo ameaças. “É obvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava Jato. Penso que é até infantil imaginar que não há, isto é, que criminosos do pior tipo (conforme o MPF afirma) simplesmente resolveram se submeter à lei! Acredito que a lei e as instituições vão vencer. Porém, alerto: se algo acontecer com alguém da minha família, vocês já sabem onde procurar…! Fica o recado!”.

Após a morte do pai, Francisco afirmou à imprensa que torcia para que a queda tivesse sido um acidente. “Eu, sinceramente, torço para que tenha sido um acidente. Acho que seria muito ruim para o País saber que meu pai foi assassinado”, disse.

No mês seguinte à publicação feita pelo filho, Teori confirmou durante um evento no Rio de Janeiro que havia recebido uma ameaça, mas afirmou: “Não tenho recebido nada sério”. 

Outro episódio mencionado pela Carta Capital envolve uma conversa gravada em março de 2016 entre o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. O diálogo foi divulgado em maio daquele ano.

Na conversa, Jucá afirmou que uma “mudança” no governo federal, que seria resultado de um “pacto” nacional “com o Supremo, com tudo”, poderia “estancar essa sangria” provocada pela Lava Jato.

Em outro momento, Machado mencionou a possibilidade de buscar uma ligação com Zavascki. “Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori, mas parece que não tem ninguém”, disse. Jucá respondeu: “Não tem. É um cara fechado, foi ela (Dilma) que botou. Um cara… burocrata. Da… ex-ministro do STJ”.

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Com a morte de Zavascki, a relatoria da Lava Jato poderia ser destinada ao ministro que ocupasse sua vaga no STF, escolhido por Michel Temer, que era citado nas investigações. A então presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, poderia abrir uma exceção.

A Carta Capital também destaca que outros dois aviões bimotor haviam caído na mesma região. Em 2013, um acidente deixou três mortos. Em 2016, outro deixou duas vítimas.

O aeroporto de Paraty não era equipado para pousos por instrumentos e também não possuía torre de controle ou estação meteorológica. Essas condições eram mencionadas no contexto do acidente ocorrido próximo à Ilha Rasa.

Nas horas seguintes à queda, houve movimentação no hangar do Campo de Marte onde o avião era guardado. Segundo informações da Folha de S.Paulo citadas pela Carta Capital, por volta das 19h, um funcionário chegou ao local afirmando ser responsável pelas câmeras de segurança e recolheu computadores do hangar. Minutos depois, integrantes da Aeronáutica e da Polícia Federal estiveram no local em busca das imagens do circuito interno.

Na época, o Ministério Público Federal de Angra dos Reis (RJ) abriu um inquérito para apurar as causas da queda. A Polícia Federal também ficou responsável pela apuração do acidente.

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