Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, afirmou que o ex-controlador do Banco Master mantinha R$ 20 bilhões no exterior e tinha uma relação próxima com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações aparecem em áudios e conversas obtidos pela revista piauí, que revelam detalhes das preocupações de Zettel durante a crise financeira do banco e após a prisão do empresário, em novembro de 2025.
Em uma conversa de 2 de dezembro daquele ano, Zettel relatou que Vorcaro enfrentava dificuldades para acessar recursos financeiros depois de ter sido preso pela Polícia Federal. Segundo ele, o dinheiro mantido fora do Brasil não poderia ser utilizado sem o risco de novas consequências judiciais.
“Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo. Então, não adianta nada juntar dinheiro fora. Se ferra do mesmo jeito. Não sei até onde o Daniel tem essa consciência. Eu acho que ele é meio inconsequente.”
A afirmação foi feita durante uma conversa com uma mulher identificada pela revista como Marina, nome fictício utilizado para preservar a identidade de uma pessoa com quem Zettel mantinha um relacionamento extraconjugal. O valor mencionado por ele não foi comprovado pelas autoridades e permanece como uma alegação.
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As gravações também mostram que Zettel comentava a relação de Vorcaro com Alexandre de Moraes. Em setembro de 2025, enquanto acompanhava o julgamento da tentativa de golpe de Estado no STF, ele afirmou que o banqueiro mantinha uma amizade próxima com o ministro. “O Xandão é melhor amigo do Daniel. Tô contando com ele. Melhor amigo, faz jantar junto, sai junto”, disse.
Zettel não explicou de que maneira esperava contar com Moraes. A declaração também não comprova qualquer participação do ministro nas operações financeiras do Banco Master.
Segundo a piauí, as conversas com Marina ocorreram entre 2023 e março de 2026, quando Zettel foi preso. Parte das mensagens foi registrada durante as negociações para tentar evitar a liquidação do banco.
Em outubro de 2025, o empresário chegou a contar à mulher que havia viajado ao exterior para guardar recursos financeiros, diante da possibilidade de bloqueio de seus bens. Na ocasião, afirmou que o Banco Central havia estabelecido um prazo para que Vorcaro reorganizasse a instituição.
A situação do Master se agravou no mês seguinte. Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação da instituição.
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Horas antes da decisão, Zettel havia enviado uma mensagem demonstrando alívio porque nenhuma medida contra o banco tinha sido anunciada naquele momento. “Graças a Deus, a gente achou que ia estourar algo de ruim, mas hoje não estourou nada. Eu vou te mantendo informada e mais tarde eu te ligo com calma pra gente conversar. Te amo, te amo, te amo”.
Após a prisão do cunhado, Zettel passou a demonstrar preocupação com a possibilidade de também ser atingido pelas investigações. Em outra conversa, relatou que aparelhos eletrônicos de pessoas ligadas ao banco haviam sido apreendidos. “Você já deve ter visto as notícias, né?”, perguntou. “Pegaram os telefones, os iPads de todo mundo. O meu ainda não.”
Na mesma ocasião, contou que havia tomado Rivotril para dormir e não percebeu as tentativas de contato dos advogados durante a madrugada em que Vorcaro foi preso.
Zettel também afirmou que buscava separar suas atividades empresariais das operações do Master. Entretanto, mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que ele atuava na realização de pagamentos e na administração de recursos ligados ao cunhado.
Vorcaro permaneceu preso por 12 dias e foi solto após decisão judicial, mediante medidas cautelares. Em março de 2026, voltou a ser preso em uma operação que também resultou na detenção de Zettel.
De acordo com a piauí, as autoridades haviam identificado aproximadamente R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens associados a Vorcaro, valor inferior aos R$ 20 bilhões mencionados por seu cunhado. A existência e a localização de todo o patrimônio citado nas gravações não foram confirmadas.
As defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram procuradas pela revista, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.


