Por muitos anos, o debate sobre autismo esteve centrado principalmente nos diagnósticos feitos ainda na infância. A intervenção precoce e a inclusão escolar passaram a ser o foco das pesquisas científicas, da formação de profissionais, da atenção das famílias e das políticas públicas. No entanto, como garantir que a inclusão e o suporte continuem quando essas crianças autistas crescem?
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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 2,4 milhões de pessoas autistas já foram identificadas no Brasil. Deste total, um número cada vez maior chega à adolescência e à vida adulta. Apesar disso, ainda há falta de profissionais qualificados para tratar de temas como autonomia, relações sociais, saúde mental, transição escolar, sexualidade, planejamento de futuro e inserção no mercado de trabalho.
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Para aprofundar a compreensão sobre a condição, o portal LeoDias conversou com a especialista em desenvolvimento infantil e autismo, Mayra Gaiato. Ela é psicóloga, neurocientista e mestre em Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
“A área evoluiu muito no que diz respeito ao diagnóstico e à intervenção precoce. Isso trouxe impactos positivos para muitas crianças e famílias. Mas essas crianças cresceram e o sistema ainda não acompanhou essa transformação”, avaliou a especialista.
Mayra Gaiato enfatizou que o autismo não deve ser visto apenas como uma condição infantil. “Muitos profissionais foram capacitados para atuar somente com crianças pequenas. Quando o autista entra na adolescência, aparecem novas demandas: autonomia, relações sociais mais complexas, identidade, escolhas acadêmicas e profissionais. Falta formação específica, olhar atento e apoio nesse período”, explicou.
A especialista observou que, quando a criança autista cresce, surgem novas dúvidas e desafios. “As famílias também se veem, muitas vezes, sem referências. Com o crescimento da criança, mudam as perguntas, mudam os desafios e frequentemente faltam orientações para lidar com essa nova etapa da vida.”
A gravidade desse cenário levou à criação de uma nova pós-graduação focada no autismo durante a adolescência e vida adulta, uma iniciativa que pretende ampliar a formação de profissionais para lidar com esse momento do desenvolvimento.
“Não estamos falando apenas dos profissionais de saúde. Famílias, escolas, universidades, empresas e instituições públicas precisam aprender a lidar com adolescentes e adultos autistas. Esse é um desafio coletivo. De toda a sociedade”, ressaltou.
“Quando o autismo é tratado só como um tema da infância, acabamos invisibilizando milhões de jovens e adultos. Essas pessoas continuam necessitando de apoio para estudar, trabalhar, construir relações e participar da sociedade. O diagnóstico não termina na infância! O autismo acompanha a pessoa por toda a vida. Precisamos preparar profissionais, famílias e instituições para essa realidade”, completou Gaiato.
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado nesta quinta-feira (2/4), foi instituído pela ONU em 2007 para informar a população sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data tem como objetivo combater o preconceito e promover a inclusão de pessoas autistas, ressaltando seus direitos, talentos e a importância de tratamentos adequados.



