A Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), órgão da CBF responsável por aplicar as regras do fair play financeiro no Brasil, iniciou uma investigação para apurar um possível conflito de propriedade na venda da SAF do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia, herdeiro do grupo Crefipar, do qual Leila Pereira, presidente do Palmeiras e madrasta do empresário, faz parte. Como parte do processo, a agência determinou que o Vasco está proibido de manter relações tanto com o banco quanto com o clube paulista.
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Em 2025, o clube chegou a obter um empréstimo de R$ 80 milhões junto à Crefisa, banco integrante do conglomerado financeiro. Com a decisão da Anresf, o Vasco está impedido de solicitar qualquer empréstimo à Crefisa. O clube carioca também não pode negociar jogadores com o Palmeiras, seja por empréstimo, venda ou compra. O veto inclui ainda o compartilhamento de infraestrutura, como utilizar o CT do Palmeiras em viagens a São Paulo.
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A agência busca apurar se a venda do Vasco para Marcos Lamacchia pode se enquadrar em um dos artigos do fair play financeiro, que trata sobre um mesmo grupo controlar dois clubes em uma mesma competição. A Anresf investiga se Lamacchia e Leila Pereira mantêm relações próximas a ponto de configurar essa irregularidade.
De acordo com o regulamento de sustentabilidade financeira dos clubes, está proibido que “qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube”. Em resposta ao órgão após ser notificado há algumas semanas, o Vasco afirmou que a venda para o empresário não infringe o regulamento.
Entenda relações entre Leila Pereira e Marcos Lamacchia
Leila Pereira é atualmente presidente da Crefisa, banco fundado por José Roberto Lamacchia, que é marido da dirigente do Palmeiras. Marcos Lamacchia é filho do banqueiro, enteado de Leila, e filho de Junia Faria, herdeira do grupo Alfa.
José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira, teria participado das negociações para a venda da SAF do Vasco, além de ter concedido entrevistas em que incentiva o negócio. A Crefisa também aparece como garantidora financeira e credora do clube durante o processo de venda.
Empréstimo vetado
Além das dificuldades para aprovação da venda na Anresf, o clube também enfrenta problemas para liberação de empréstimos de Lamacchia ao Vasco na Justiça comum. Sob o argumento de que haveria infração à ampla concorrência, já que o empréstimo de R$ 150 milhões, solicitado pelo Vasco judicialmente, poderia caracterizar uma venda antecipada, o TJ-RJ bloqueou os valores e solicitou o parecer de um fiscal independente (watchdog) e de um gatekeeper (responsável pelo aval técnico).
Além disso, a massa falida da 777 Partners, que ainda possui mais de 30% das ações da SAF do Vasco, pediu acesso a todos os documentos relacionados à venda, o que tem atrasado o processo de revenda do clube.


