A temporada de 2025 do São Paulo Futebol Clube foi marcada por um número alarmante de lesões: 49 ausências de jogadores por problemas físicos. Em meio a esse cenário, uma crise interna se instaurou no departamento médico do clube, especialmente entre os setores de nutrologia e fisiologia.
O estopim da tensão foi o uso do medicamento Mounjaro, baseado na substância tirzepatida, conhecido por seu efeito no controle do apetite e amplamente utilizado no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. Apesar da popularidade entre celebridades, o remédio pode causar efeitos colaterais como enjoo, vômito e fraqueza — sintomas preocupantes para atletas de alto rendimento.
Segundo informações do Uol, nutrólogos do clube prescreveram o Mounjaro a alguns jogadores sem o conhecimento prévio da equipe de fisiologia, gerando atritos entre os profissionais. A situação se agravou com a revelação de que as embalagens do medicamento estavam em inglês, sugerindo origem estrangeira, e que o médico responsável, Eduardo Rauen, indicava fornecedores externos.
Rauen, que permanece à frente da nutrologia tricolor, defendeu-se alegando base científica nas prescrições. Segundo ele, atletas com IMC acima de 27,5 e com comorbidades, como lesões articulares, têm indicação formal para o uso do remédio. O médico também afirmou que os jogadores apresentaram melhora na composição corporal, com perda de peso, redução de gordura e ganho de massa muscular.
Diante do aumento de lesões e da crise interna, o São Paulo iniciou uma reformulação no departamento médico, demitindo profissionais que atuavam há anos no clube. A medida visa reorganizar a estrutura e restabelecer a confiança nas decisões clínicas tomadas internamente.
O episódio evidencia a complexidade da gestão de saúde em clubes de futebol e levanta questões sobre a comunicação e o controle de substâncias administradas a atletas profissionais.



