A possibilidade de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro venha a colaborar com investigações internacionais por meio de uma delação premiada voltou a ser tema de discussão na imprensa e em correntes políticas, impulsionada pelas acusações feitas pelo ex-chefe de inteligência da Venezuela, Hugo Armando Carvajal Barrios. Carvajal, conhecido como “El Pollo”, foi diretor da inteligência militar venezuelana sob os governos de Hugo Chávez e Maduro e está preso nos Estados Unidos por crimes ligados a narcotráfico e narcoterrorismo.
Carvajal forneceu declarações a autoridades e teria citado em diferentes momentos supostas operações de financiamento irregular de campanhas políticas por parte do regime chavista, incluindo o uso de recursos públicos e de redes associadas ao chamado Cartel de los Soles em benefício de lideranças de esquerda na América Latina. Reportagens internacionais relataram que ele mencionou o atual presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva entre os nomes supostamente ligados a essas práticas, embora sem apresentar provas documentais.
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As alegações de que o governo venezuelano teria financiado campanhas estrangeiras derivam de relatos feitos por Carvajal em declarações anteriores a tribunais espanhóis e a autoridades de investigação. O militar, que foi extraditado da Espanha para os Estados Unidos em 2023, se declarou culpado em junho de 2025 em um tribunal federal em Manhattan por conspiração envolvendo narcotráfico e tráfico de cocaína, parte de acusações que também incluem vínculos com as FARC, grupo guerrilheiro colombiano.
Em meio a esse contexto, colunistas e analistas políticos internacionais têm levantado a hipótese de que, caso Maduro aceite cooperar com a Justiça americana ou espanhola por meio de um acordo de colaboração, as informações que ele pudesse fornecer teriam potencial para reacender as atenções sobre essas acusações e possivelmente motivar investigações mais amplas sobre redes de financiamento político transnacional. No entanto, até o momento, trata-se de especulação, não de conclusões formais de órgãos de investigação.
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Autoridades brasileiras e representantes do governo de Lula têm negado categórica qualquer irregularidade envolvendo financiamento estrangeiro de campanhas eleitorais ou vínculos com operações criminosas. Além disso, especialistas em direito internacional e eleitoral lembram que, mesmo diante de alegações de terceiros, são necessários elementos de prova robustos e processos judiciais formais para que qualquer líder político seja legalmente implicado. Até o momento não há registro oficial de investigação aberta com base nas acusações de Carvajal no Brasil ou no exterior.


