Júlia Almeida, filha de Manoel Carlos, abriu o coração sobre os anos finais de vida do escritor, que em 2018 recebeu o diagnóstico de Parkinson, doença neurodegenerativa que compromete progressivamente a coordenação motora, o equilíbrio e funções cognitivas. O autor de renomadas novelas brasileiras faleceu em 10 de janeiro, aos 92 anos, em um hospital na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde estava internado para tratar complicações decorrentes do quadro. A causa oficial do óbito não foi divulgada.
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Em entrevista à revista Veja, a herdeira do veterano declarou que a convivência foi marcada por muito afeto, mas também por grandes desafios. “Preservar a dignidade dele era minha prioridade. Encontrei paz na convicção de que fiz tudo ao meu alcance para confortá-lo”, afirmou Júlia Almeida, que viveu na pele a alternância de momentos de ternura e de dificuldade à medida que os sintomas de Parkinson avançavam.
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Segundo Júlia Almeida, garantir o bem-estar de Manoel Carlos exigiu decisões complexas e uma adaptação completa da rotina familiar. Consultas médicas frequentes, exames periódicos e ajustes na casa tornaram-se parte integrante do dia a dia, assim como a presença constante de cuidadores e profissionais de saúde para auxiliar nas atividades mais simples, muitas vezes acompanhados de equipamentos e recursos de acessibilidade.
Ela também destacou o papel fundamental da mãe, Bety Almeida, esposa de Manoel Carlos por quatro décadas, na sustentação do núcleo familiar. Para manter o escritor integrado ao que lhe era familiar, a família passou a organizar sessões de fisioterapia na piscina, supervisionadas por um especialista, além de preservar pequenos prazeres que ele tanto apreciava: desde um picolé de coco caseiro até a cerveja gelada aos domingos, sem esquecer da água mineral – sempre em garrafa de vidro, conforme o hábito que ele cultivava.
“Entregávamos a ele o jornal todas as manhãs, um ritual que se repetia sem falhas. Porém, o vinho que tanto gostava precisou ser deixado de lado em razão das restrições médicas. Refleti muito sobre a importância de manter minha vida longe dos holofotes. Apesar de ser uma personalidade pública, meu pai tinha direito à privacidade. Muitas pessoas questionaram seu recolhimento, mas fui firme na decisão de evitar que aquele momento se transformasse em espetáculo. Respeitar seu espaço foi uma forma de amor”, lembrou Júlia Almeida.
No início de 2024, o quadro de saúde de Manoel Carlos se agravou, resultando em internações com maior frequência. A família intensificou o laço de proximidade: muitas vezes, o hospital ligava para avisar que ele havia sonhado com a filha, e uma videochamada permitia esse encontro virtual. “Foram gestos pequenos, mas que nos deram força nos dias mais difíceis. No último Natal, organizei uma celebração íntima em família para mantê-lo próximo do que amava”, relatou.
O último momento de Júlia Almeida com o pai ficou marcado por emoção e serenidade. “Conversei com ele, beijei sua testa e disse: ‘Pode descansar’. Não foi um ato de resignação, mas o reconhecimento de um desfecho que eu já vinha aceitando. Nosso derradeiro diálogo foi uma troca de olhares.” Manoel Carlos partiu em paz, ainda que todos tenham sentido a dor da despedida, segurando a mão de Júlia no leito do hospital.



