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Justiça condena Nego Di e Gabriela Vicente de Sousa por estelionato, lavagem de dinheiro e rifas ilegais

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A sentença que levou à condenação do humorista Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, e de sua esposa Gabriela Vicente de Sousa, proferida na terça-feira (23/6), detalha diversas práticas ilícitas atribuídas ao casal. Segundo a Justiça, eles cometeram estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e promoveram rifas sem autorização legal. As informações são do g1.

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De acordo com o processo, ambos teriam se envolvido em um esquema de sorteios virtuais irregulares, movimentação financeira para ocultação de recursos e uso de documentos falsificados.

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Somando todas as penas, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, além de mais 1 ano e 15 dias de prisão simples por loteria ilegal. Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de reclusão, também em regime fechado, pelo crime de lavagem de dinheiro.

Além das penas de prisão, a decisão determina o pagamento de multas, que foram calculadas com base no salário mínimo vigente na época dos fatos.

Veja quais foram os crimes apontados pela Justiça

Loteria ilegal

Pela promoção de rifas consideradas ilegais, Nego Di foi condenado a 1 ano e 15 dias de prisão simples.

Segundo a acusação aceita pela Justiça, o influenciador realizou ao menos 34 sorteios entre novembro de 2022 e maio de 2024 sem a autorização exigida por lei. As campanhas eram divulgadas em redes sociais e exigiam a compra de bilhetes para participação.

Os sorteios ofereciam prêmios em dinheiro e bens de alto valor. Para o juiz, não se tratava de uma ação isolada, mas sim de uma atividade organizada e recorrente, que teria movimentado mais de R$ 2,5 milhões.

Na análise do caso, o magistrado rejeitou a alegação de que o influenciador desconhecia a ilegalidade da prática. Segundo ele, o valor envolvido e a estrutura da operação exigiam que fosse verificada previamente a regularidade da atividade.

Estelionato

Neste item da condenação, Nego Di recebeu pena de 2 anos e 1 mês de reclusão.

A sentença aponta que as rifas serviam para atrair compradores com a promessa de prêmios de alto valor. Um dos casos citados envolve um Porsche Macan avaliado em cerca de R$ 500 mil.

De acordo com a decisão, não havia intenção real de entregar o carro sorteado. O processo também menciona ações para dar aparência de legalidade ao sorteio, como a simulação de contato com uma suposta vencedora.

Para a Justiça, houve obtenção de vantagem ilícita, prejuízo financeiro aos participantes e indução das vítimas ao erro. O processo relata que ao menos 9.683 pessoas foram prejudicadas, com perdas de cerca de R$ 185,3 mil.

Lavagem de dinheiro

A maior parte das penas está relacionada ao crime de lavagem de dinheiro. Nego Di foi sentenciado a 9 anos, 4 meses e 8 dias de prisão, enquanto Gabriela recebeu 8 anos e 4 meses.

Segundo a decisão, após receber os valores das rifas, o casal teria adotado mecanismos para dificultar a identificação da origem dos recursos.

O juiz apontou que a movimentação financeira envolvia contas bancárias em nome de Gabriela, de uma empresa ligada ao casal e também de terceiros. Os valores circulavam entre diferentes contas e se misturavam a recursos considerados lícitos, dificultando o rastreamento.

A sentença ainda relata a aquisição de bens aparentemente regulares e descreve o esquema como uma estrutura complexa, organizada em várias etapas. Para o magistrado, a participação de Gabriela foi essencial para a movimentação de mais de R$ 2,4 milhões.

Uso de documento falso

Por esse crime, Nego Di foi condenado a 3 anos e 4 meses de prisão.

O caso diz respeito à divulgação, em redes sociais, de um comprovante bancário adulterado. Conforme o processo, o influenciador fez uma transferência real de R$ 100 via PIX e depois alterou o documento para mostrar uma transferência de R$ 1 milhão.

Após a adulteração, o comprovante foi publicado como se fosse verdadeiro, junto à alegação de que o valor teria sido destinado às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Segundo a Justiça, a alteração foi feita de forma consciente e intencional, com o objetivo de fazer a população acreditar em uma doação que, conforme a sentença, nunca aconteceu.

Papel da esposa no esquema

A decisão também destaca o papel de Gabriela Vicente de Sousa. Segundo o juiz, ela teria fornecido contas bancárias e estruturas financeiras usadas para movimentar recursos de origem ilícita, além de ter sido beneficiada com aquisição de bens.

No episódio do comprovante da suposta doação, o magistrado entendeu que a alteração do valor foi feita de maneira consciente antes da publicação do documento nas redes sociais, contribuindo para enganar o público.

Caso da loja virtual “Tadizuera”

Paralelamente a essa condenação, Nego Di ainda responde a outro processo criminal envolvendo a loja virtual “Tá Di Zueira”.

De acordo com investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, entre março e julho de 2022, o influenciador e o sócio Anderson Boneti teriam causado prejuízo a mais de 370 consumidores pela plataforma, com perdas estimadas em R$ 5 milhões.

Há também registros de ocorrências semelhantes entre março e julho de 2021, envolvendo 16 vítimas em Canoas. Esses fatos foram considerados em uma decisão judicial publicada em 2025.

A investigação foi concluída em agosto de 2023 com pedido de prisão preventiva. Em julho de 2024, o Ministério Público manifestou-se a favor da medida, que foi decretada pela Justiça no mesmo dia.

Logo após, Nego Di foi preso em Florianópolis, Santa Catarina, e ficou mais de quatro meses na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).

Em novembro daquele ano, o Superior Tribunal de Justiça concedeu liberdade provisória ao influenciador por meio de habeas corpus.

Após sair da prisão, ele passou a cumprir medidas cautelares, como a proibição de usar redes sociais, entrega do passaporte e comparecimento regular à Justiça. Depois, foi advertido por descumprir as restrições ao fazer publicações em plataformas digitais.

Em junho de 2025, Nego Di e Anderson Boneti foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por estelionato relacionado à operação da Tadizuera. Segundo a Justiça, o início da pena depende do trânsito em julgado.

Meses depois, em outubro de 2025, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre apresentou nova denúncia por estelionato contra o humorista e seu sócio Anderson Boneti, que já estava preso por outro processo ligado à mesma empresa.

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