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Confederações UEFA, Concacaf e AFC se unem contra Infantino na FIFA

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Gianni Infantino sob fogo cruzado de UEFA, Concacaf e AFC (Foto: Instagram)

Em meio a uma crise na FIFA, três confederações se uniram em uma nova ofensiva contra a permanência de Gianni Infantino na presidência da entidade máxima do futebol. A UEFA, Concacaf e AFC publicaram uma carta conjunta nesta segunda-feira (10/8), protestando contra as atitudes do líder suíço e afirmando que o futebol “não pertence a nenhum indivíduo ou instituição”.

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A carta é dirigida à “família do futebol” e critica a falta de transparência na FIFA. As confederações ainda ressaltam que houve uma quebra de confiança na gestão das questões internas da entidade. (Leia o texto completo ao final da matéria).

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O pronunciamento conjunto é parte de uma série de reações negativas das três confederações quanto à continuidade de Gianni Infantino na FIFA. As entidades se opõem ao projeto da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que cuidaria dos direitos comerciais de competições.

O plano era vender 20% desta empresa a investidores externos, com a expectativa de arrecadar até US$ 4,2 bilhões (R$ 22,8 bilhões).

Gianni Infantino enfrenta forte pressão na presidência da FIFA. Após federações europeias retirarem o apoio à reeleição do suíço, membros da Concacaf e da AFC também ameaçaram deixar o dirigente.

Além da ameaça por parte de países membros da Concacaf, a Federação Inglesa de Futebol (FA) e a Associação de Futebol do País de Gales (FAW) retiraram seu apoio ao dirigente. A Federação da Noruega, por sua vez, exigiu a saída imediata de Gianni Infantino da presidência da FIFA.

A forte resistência de federações nacionais e confederações continentais ao projeto de Infantino desencadeou uma crise política sem precedentes na entidade desde que o dirigente suíço assumiu o cargo em 2016.

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA:
“Querida Família do Futebol,

O futebol é a maior paixão compartilhada do mundo. Não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição.

Pertence aos jogadores, aos fãs, aos clubes, às Federações-Membro e a todas as instituições encarregadas de garantir seu futuro.

É nesse espírito, na qualidade de confederações que representam seus membros, que hoje nos pronunciamos coletivamente.

O crescimento registrado na última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de uma única pessoa. Foi o resultado do trabalho da FIFA, das Confederações, das Federações-Membro e dos milhares de pessoas que dedicam suas vidas ao futebol.

A ampliação dos torneios, a atribuição dos Campeonatos do Mundo da FIFA de 2030 e 2034, a distribuição de recursos às federações. Estas foram conquistas compartilhadas, acordadas em conjunto e concretizadas em conjunto.

Isto não tem a ver com dinheiro. As Confederações já apelaram a uma distribuição responsável das vastas reservas existentes da FIFA, com vista a reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das Federações-Membro.

Também não se trata de nenhuma Federação-Membro perder o apoio que conquistou, apesar do alarmismo dirigido aos nossos membros para sugerir o contrário. Nem se trata de rever a expansão das competições, a atribuição de vagas para o Campeonato do Mundo ou quaisquer outras decisões tomadas coletivamente. Essas decisões foram tomadas em conjunto e devem ser mantidas.

Trata-se de algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que foram eleitos para o liderar.

A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – nem de exigir – o poder para o deter. É um dever de serviço para com a família do futebol que a confia.

Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado.

A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 federações-membro reconhece que foram cometidos erros ao longo do processo. A carta aborda esta situação como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de discernimento. Uma proposta apresentada num prazo apertado, sem uma consulta significativa e levada a cabo antes de as federações-membro poderem analisar devidamente os seus termos, não é fruto de um descuido — é o resultado de uma estratégia destinada a limitar o escrutínio.

Não reconheceu que a proposta em si era intrinsecamente errada. Continua a não haver qualquer reconhecimento de que a tentativa de vender uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA constituiu um grave erro de avaliação — não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental da confiança das próprias instituições que a FIFA existe para servir.

A FIFA comprometeu-se também a apresentar um relatório completo sobre estes acontecimentos ao Conselho da FIFA, deixando mais uma vez de reconhecer que uma governação adequada, face a uma falta de discernimento tão grave, exigiria que tal análise fosse conduzida por uma entidade terceira totalmente independente e não pela própria FIFA, pelo seu pessoal ou por qualquer parte interessada do mundo do futebol. A administração da FIFA não deve desempenhar qualquer papel na condução dessa análise.

Conforme correspondência anterior, todos os documentos e registros relevantes devem ser conservados em conformidade com a comunicação da UEFA sobre a conservação de documentos.

A própria carta da FIFA confirma também que apenas um dirigente eleito esteve presente na reunião de liderança em Marrocos. Nenhum membro do Conselho da FIFA nem das Federações-Membro foi convidado a participar. Apenas o comitê de gestão, composto por quadros superiores ao serviço da FIFA, esteve presente.

Esta recente reunião, em que um número restrito de membros do Comitê de Gestão da FIFA — e não o Comitê na sua totalidade — foi convocado no estrangeiro, em vez de os dirigentes se deslocarem a Zurique para se dirigirem ao coração da FIFA, apenas reforça estas preocupações e representa uma continuação do próprio padrão de conduta que nos trouxe até este momento. Não é a conduta de um guardião do futebol, mas sim de alguém que acredita que o futebol lhe deve prestar contas.

Há silêncio onde deveria haver responsabilização, e distância onde deveria haver abertura.

Estas não são as qualidades que o futebol merece na sua liderança. É por isso que assumimos esta posição: não de ânimo leve nem sozinhos, mas em conjunto, e por um sentido de dever para com o desporto que servimos.

A força do futebol sempre residiu na sua unidade. Apelamos a que essa unidade seja agora respeitada e a que haja uma liderança que sirva o futebol, em vez de procurar dominá-lo.”

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