Entre os 26 jogadores chamados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, um nome chamou a atenção dos torcedores mais detalhistas durante a viagem da delegação aos Estados Unidos. Nos vídeos divulgados pela CBF e compartilhados pelos próprios jogadores, também aparece o goleiro Léo Nannetti, destaque das categorias de base do Flamengo. No entanto, a presença do jovem gerou questionamentos, já que ele não está entre os convocados para o Mundial, tampouco faz parte da pré-lista ou da lista oficial de inscritos da competição.
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A explicação é simples: Nannetti foi chamado pela comissão técnica para atuar como goleiro de apoio durante a preparação da Seleção ao longo do torneio. Essa função envolve participar dos treinos diários, ajudar nas atividades com os outros atletas e contribuir na rotina dos goleiros do elenco principal.
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A prática é comum em torneios longos e permite que jovens promessas ganhem experiência em um ambiente de alto rendimento, ao mesmo tempo em que colaboram com os trabalhos da equipe nacional.
Observado há meses pela Seleção
O convite não aconteceu de maneira repentina. Aos 18 anos, o goleiro já vinha sendo observado de perto pela comissão técnica do Brasil. Em setembro do ano passado, ele participou de treinamentos com a Seleção principal e voltou a ser chamado para atividades recentes na Granja Comary. Além disso, tem passagens pelas categorias de base da Seleção e é constantemente monitorado pelos profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de goleiros.
“Quando recebi a notícia, fiquei muito feliz e grato por poder estar novamente com a Seleção Brasileira, só que, desta vez, na Copa do Mundo”, declarou o jogador.
O goleiro também ressaltou a importância da experiência para a sua evolução. “É uma excelente oportunidade para eu crescer como atleta. Vou treinar ao lado de grandes inspirações e ídolos. Espero aproveitar ao máximo esse momento para, quando retornar ao Brasil, ajudar ainda mais o Flamengo”, afirmou.
Mais de 300 jogos e destaque no Mundial Sub-20
Léo Nannetti chegou ao Flamengo aos oito anos de idade e construiu toda sua trajetória dentro do Ninho do Urubu. Durante sua formação, ultrapassou a marca de 300 partidas vestindo a camisa rubro-negra.
Com 1,93 metro de altura, o goleiro participou das pré-temporadas do time profissional em 2024, sob o comando de Tite, e em 2025, já com Filipe Luís.
Nesta temporada, fez sua estreia entre os profissionais e foi titular nos primeiros jogos do Flamengo pelo Campeonato Carioca, quando o clube escalou uma equipe composta em sua maioria por atletas da base.
O momento mais marcante da carreira foi no Mundial Sub-20 de 2025. Na final contra o Barcelona, disputada no Maracanã, Nannetti foi decisivo ao fazer defesas importantes durante a partida e defender duas cobranças na disputa de pênaltis, garantindo o título ao Flamengo.
Elogios de Taffarel e Alisson
As atuações do jovem chamaram a atenção até mesmo dentro da Seleção. Em uma convocação anterior para treinamentos, o preparador de goleiros Cláudio Taffarel destacou a postura do atleta.
“Ele é um menino muito bacana. Eu nem sabia que ele tinha sido o goleiro naquela final do Mundial Sub-20. Tem um potencial muito bom, gostei dele, principalmente por já ter uma postura profissional mesmo sendo um garoto de 18 anos. Tenho certeza que vai dar muitas alegrias ao Flamengo”, afirmou.
Outro que elogiou o jovem foi Alisson Becker, titular absoluto e um dos líderes do grupo brasileiro. “Todos os dias treinamos juntos, é um menino muito bom. Tem vontade de aprender, de evoluir e já mostrou qualidade. Está tendo uma oportunidade que poucos tiveram, eu mesmo não tive com 18 anos. Isso também é reflexo da visão de talento que se tem sobre ele. Já tinha ouvido falar bem dele pelo Filipe Luís e tem demonstrado isso nos treinos. Tem grande potencial, muito focado. Acredito que pode conquistar grandes coisas se seguir trabalhando e concentrado”, declarou.
Experiência rara para um atleta de 18 anos
Apesar de não poder atuar durante a Copa do Mundo, Nannetti terá a chance de vivenciar de perto a rotina da principal seleção do país em um dos maiores eventos esportivos do mundo.
Em outro contexto e época, mas convocado oficialmente, um jovem também teve a chance de integrar o elenco do Brasil em uma Copa. Um adolescente de 17 anos, joia do Cruzeiro. O nome dele: Ronaldo Nazário. Na época, chamado de Ronaldinho. Na Copa seguinte, virou Ronaldo Fenômeno. Melhor do mundo. O resto é história. Em 94, assistiu tudo do banco e participou dos treinos. Foi campeão mundial sem entrar em campo. Se o Brasil conquistar o hexa, porém, Nannetti não será considerado campeão mundial, pois não está inscrito no torneio. Mas, simbolicamente, poderá ser dito que fez parte do grupo do hexa.
Para um goleiro que ainda está no início da carreira profissional, a experiência representa uma oportunidade de aprendizado ao lado de grandes nomes do futebol mundial e reforça a confiança que a comissão técnica deposita em seu potencial para os próximos anos.


