O senador Flávio Bolsonaro (PL) acusou a TV Globo de não lhe conceder direito de resposta em uma reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (1º), sobre sua saída do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais de 25 de outubro. Segundo o parlamentar, a emissora o convidou para uma entrevista, mas não aceitou a condição de transmitir a conversa integralmente, sem cortes. A reportagem abordou as circunstâncias de sua viagem aos Estados Unidos, que o senador nega ter sido uma fuga.
Antes da exibição do programa, Flávio publicou uma manifestação nas redes sociais para contestar a abordagem da emissora. Ele afirmou que havia sido procurado por diferentes veículos de comunicação ao longo da semana e que estava disposto a conceder entrevistas, desde que não houvesse edição de suas declarações.
“Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva. Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante”, declarou.
Na mesma publicação, o senador questionou a decisão da Globo e afirmou que a reportagem poderia prejudicar sua imagem: “Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com medo, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação”.
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Durante o programa, o Fantástico apresentou informações sobre os acontecimentos que antecederam a viagem do parlamentar aos Estados Unidos e o percurso realizado até sua chegada ao país. A reportagem relacionou a saída do Brasil ao período posterior ao resultado das eleições presidenciais.
Ao final da exibição, a emissora apresentou uma manifestação de Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro. O defensor afirmou que “nenhuma informação sobre a viagem do senador é oficial ou foi confirmada” e negou que o deslocamento tenha ocorrido em circunstâncias de fuga.
Em sua publicação, Flávio também apresentou sua versão sobre a decisão de deixar o país. Segundo ele, medidas judiciais determinadas após o resultado eleitoral motivaram sua saída. “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras”, afirmou.
O senador alegou ainda que foi intimado cerca de 12 horas depois, quando deixava a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na manifestação, classificou as medidas judiciais como perseguição e questionou a imparcialidade do processo.
“Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do [ex] Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre. Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial”, disse.
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Flávio também criticou a atuação do Judiciário brasileiro e afirmou que, nos Estados Unidos, poderá continuar se manifestando publicamente sobre sua situação. “Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juiz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta. Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer que as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você”.
Ao concluir a publicação, o senador afirmou que pretende conceder novas entrevistas a veículos brasileiros e estrangeiros nos próximos dias, mantendo a exigência de que suas declarações sejam divulgadas sem cortes. “Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: ‘Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Direitos Humanos.’ (Cristiano Zanin, em 7/ago/2016). Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil”, finalizou.


